A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, I.P. (CCDR Algarve, I.P.) prepara a nova edição do “Prémio Inovação – Dieta Mediterrânica”, uma iniciativa que visa promover a valorização da Dieta Mediterrânica enquanto património cultural imaterial da UNESCO, destacando a inovação no setor agroalimentar da região.
Lançado no ano passado, no âmbito da Feira da Dieta Mediterrânica em Tavira, o prémio é promovido em articulação com o Município de Tavira, a Associação IN-LOCO — que faz a ponte com os produtores representados na feira — e com o apoio da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Sotavento Algarvio, entidade responsável pela atribuição dos três prémios monetários.

Aberto a todos os produtores, projetos ou empresas representados na Feira, o prémio tem como objetivo reconhecer e divulgar propostas com carácter inovador alinhadas com os princípios da Dieta Mediterrânica, promovendo também a sua sustentabilidade ambiental, económica e social.
Na primeira edição, os vencedores apresentaram soluções criativas que respeitam as práticas tradicionais e contribuem para um modelo alimentar mais equilibrado e sustentável. Um dos projetos em destaque foi o da empresa Sabor do Sul – Pecoliva, de São Brás de Alportel, que alcançou o 3.º lugar com uma proposta inovadora para o tratamento dos resíduos gerados na produção de azeite.
Segundo a empresa, o projeto consistiu na aquisição de dois reservatórios (tegões) para armazenar as lamas do lagar, permitindo eliminar paragens no processo produtivo e evitando impactos ambientais. A Pecoliva foi pioneira a nível regional nesta abordagem, que representa uma melhoria significativa na eficiência do lagar.
A história da empresa remonta a 1977, quando adquiriu um lagar existente desde os anos 1940. A marca “Sabor do Sul” foi criada em 2010 e inclui azeites e aguardentes de figo e medronho. A inovação recente resultou de um investimento avultado, e, como refere a gerência, “o prémio representa mais um reconhecimento pelo esforço desenvolvido do que pelo valor financeiro”, tendo em conta os elevados custos associados à atividade.

Atualmente, a empresa não prevê novos investimentos a curto prazo, devido ao recente esforço de modernização, mas sublinha a importância de garantir capacidade de resposta nos períodos de elevada produção, cada vez mais raros devido ao clima seco e à prevalência do olival tradicional de sequeiro no Algarve.
Relativamente ao futuro do setor, a Pecoliva destaca a necessidade de maior capacitação em matéria de gestão da água para a produção agrícola, salientando que “existem projetos promissores, como o aproveitamento de águas residuais e a dessalinização”.
A edição de 2025 do prémio manterá o modelo de participação aberto, sendo possível ao público votar nos projetos finalistas, com um peso de 30% na decisão. Os critérios de avaliação incluem o grau de inovação, a viabilidade económica, a adequação ao mercado e a sustentabilidade ambiental e social.
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