Desligar ou reiniciar o telemóvel com alguma regularidade pode interromper certas ameaças informáticas que permanecem ativas apenas na memória do aparelho. No entanto, este gesto não elimina todas as formas de software malicioso, não corrige falhas de segurança e também não impede que o dispositivo volte a ser infetado.
A recomendação de desligar completamente o telemóvel e voltar a ligá-lo uma vez por semana surge no National Security Agency, mais conhecida pela sigla NSA. A agência apresenta esta medida como uma forma de reduzir, em determinadas situações, os riscos associados a ataques sem interação do utilizador e a outros métodos de instalação de programas maliciosos.
Esta indicação é também frequentemente atribuída ao Federal Bureau of Investigation (FBI). Contudo, nas publicações oficiais consultadas, a recomendação concreta de desligar o equipamento todas as semanas encontra-se no documento da NSA. O FBI divulga conselhos gerais contra mensagens, links e anexos fraudulentos, mas não foi localizada uma orientação oficial com a mesma periodicidade semanal.
O que acontece quando o telemóvel é desligado
Alguns programas espiões conseguem funcionar apenas enquanto determinados processos permanecem ativos. Como não ficam instalados de forma permanente, podem deixar de operar quando o sistema é totalmente encerrado e volta a arrancar.
É neste tipo de ameaça que desligar pode fazer diferença. Ainda assim, não existe nada de especial ou infalível no prazo de sete dias. Se o programa malicioso tiver mecanismos de persistência, se existir uma aplicação comprometida ou se a falha de segurança continuar por corrigir, ligar novamente o telemóvel pode não resolver o problema.
ANSSI aconselha desligamento completo
A Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação de França, conhecida pela sigla ANSSI, também recomenda que o telemóvel seja desligado regularmente. Segundo a entidade, o encerramento completo termina os processos em execução e pode eliminar da memória programas espiões não persistentes.
A agência francesa salienta, porém, que o desaparecimento temporário do programa não fecha a porta usada pelo atacante. Se a vulnerabilidade permanecer ativa, o mesmo equipamento poderá voltar a ser infetado através do método utilizado anteriormente.
Nem todos os reinícios são necessariamente reais
A ANSSI estabelece ainda uma diferença entre escolher a opção “reiniciar” e desligar efetivamente o aparelho antes de voltar a ligá-lo. Alguns programas espiões sofisticados conseguem simular um reinício, levando o utilizador a acreditar que o sistema foi encerrado quando isso não aconteceu.
Por esse motivo, a agência recomenda desligar o equipamento, aguardar pelo encerramento completo e só depois voltar a ligá-lo. Esta precaução não garante que o telemóvel esteja livre de ameaças, mas reduz o risco de um reinício apenas aparente.
Primeiro desbloqueio também é importante
Depois de ser ligado, o telemóvel permanece num estado mais restrito até o utilizador introduzir o código pela primeira vez. Durante esse intervalo, várias funcionalidades e chaves de acesso aos dados ainda não estão disponíveis, o que limita a superfície que pode ser explorada por um atacante.
É também por esta razão que a ANSSI aconselha o desligamento completo quando o utilizador tiver de se separar do equipamento. Um aparelho acabado de ligar e ainda não desbloqueado oferece, em regra, menos possibilidades de acesso do que um telemóvel que já esteve em utilização.
Apple recorre ao mesmo princípio no iPhone
A documentação de segurança da Apple descreve um mecanismo semelhante. Desde o iOS 18.1 e o iPadOS 18.1, um equipamento que permaneça bloqueado durante um período prolongado pode reiniciar automaticamente e regressar ao estado anterior ao primeiro desbloqueio.
Durante esse processo, são retiradas da memória determinadas chaves de segurança e informações temporárias. Os ficheiros do utilizador não são apagados, mas o código volta a ser necessário antes de os dados e algumas funções ficarem novamente disponíveis.
Modo de avião não substitui estas medidas
Colocar o telemóvel em modo de avião interrompe várias ligações sem fios, mas não encerra necessariamente os processos que já estão ativos. A ANSSI alerta que um programa espião pode continuar a utilizar o microfone para recolher conversas e enviar a informação mais tarde, quando o acesso à rede for restabelecido.
A proteção deve, por isso, assentar num conjunto de cuidados. A NSA recomenda instalar apenas aplicações provenientes de lojas oficiais, atualizar rapidamente o sistema e as aplicações, evitar redes Wi-Fi públicas, desligar o Bluetooth e a localização quando não forem necessários e desconfiar de links ou anexos inesperados.
A ANSSI acrescenta a importância de remover aplicações que deixaram de ser utilizadas, rever as permissões concedidas, separar os usos pessoais e profissionais e manter os equipamentos afastados de conversas sensíveis. Desligar o telemóvel uma vez por semana pode ser uma camada adicional de segurança, mas não substitui as atualizações nem elimina, por si só, uma eventual infeção.
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