Uma análise laboratorial a 20 referências de arroz encontrou diferenças consideráveis na presença de arsénio, pesticidas e outros contaminantes. Entre os basmatis testados, uma referência produzida na Índia destacou-se por apresentar 0,03 mg/kg de arsénio e nenhum resíduo de pesticida detetado no painel de substâncias pesquisadas.
As análises, publicadas em setembro de 2025, abrangeram testes de ADN para confirmar a autenticidade das variedades, a pesquisa de várias centenas de resíduos de pesticidas e a medição de arsénio, aflatoxinas e hidrocarbonetos derivados de óleos minerais. Entre os dez basmatis havia quatro produtos biológicos, enquanto cinco dos dez arrozes thai tinham certificação biológica.
Basmati branco apresentou 0,03 mg/kg de arsénio
Entre os produtos analisados destacou-se o Autour du Riz Basmati blanc India, da variedade tradicional Ranbir. Segundo os resultados do comparativo da UFC-Que Choisir, reproduzidos pela imprensa francesa, a amostra apresentou 0,03 mg/kg de arsénio e nenhum resíduo de pesticida detetado, obtendo 15,2 valores em 20. O produto partilhou a melhor classificação entre os basmatis analisados. Trata-se de um arroz branco proveniente do norte da Índia, mais concretamente de Jammu e Caxemira, vendido em embalagens de 500 gramas e certificado como biológico e de comércio justo.
A expressão “sem resíduos de pesticidas detetados” não significa que seja possível garantir a ausência absoluta de qualquer substância. Significa que as moléculas pesquisadas não foram encontradas acima dos limites de deteção do método laboratorial utilizado naquela amostra. Também não permite assegurar que todos os lotes produzidos no futuro terão exatamente o mesmo resultado. Os níveis podem variar consoante o terreno, a água utilizada no cultivo, a colheita e o lote colocado no mercado.
Melhor classificação geral foi para um arroz thai
Ter o valor mais baixo de arsénio não significou obter automaticamente a melhor nota global. Entre as 20 referências, o Autour du Riz Thaï riz blanc variété pur Hom Mali alcançou 16,9 valores em 20.
Segundo os resultados divulgados, este arroz apresentou cerca de 0,07 mg/kg de arsénio e não revelou resíduos de pesticidas, aflatoxinas ou hidrocarbonetos minerais detetáveis. O produto é originário da província de Si Saket, na Tailândia, e também possui certificação biológica e de comércio justo.
A classificação geral considerou vários critérios, incluindo a autenticidade da variedade, o teor de humidade e os diferentes contaminantes. Por esse motivo, o arroz com menos arsénio não tinha necessariamente de ser o primeiro classificado no conjunto do teste.
Todos os arrozes analisados continham arsénio
Nenhuma das 20 referências estava completamente livre de arsénio. A UFC-Que Choisir encontrou este elemento em todos os produtos, embora os valores variassem aproximadamente do simples para o triplo. De forma geral, os arrozes thai apresentaram concentrações superiores às dos basmatis. Ainda assim, todos os produtos permaneceram dentro dos limites legais aplicáveis, segundo a associação francesa.
Na União Europeia, o limite máximo de arsénio inorgânico é de 0,15 mg/kg para arroz branco ou polido não vaporizado e de 0,25 mg/kg para arroz vaporizado e arroz descascado, categoria onde se inclui o arroz integral. Estes valores foram atualizados pelo Regulamento (UE) 2023/465. Os limites legais referem-se especificamente ao arsénio inorgânico, considerado a forma mais preocupante para a saúde. Por isso, os resultados de testes diferentes só devem ser comparados diretamente quando utilizam o mesmo método e medem a mesma forma química do elemento.
Teste de 2026 reforçou tendência do basmati
Uma análise publicada em 2026 pela organização norte-americana Consumer Reports reforçou a tendência favorável do basmati. Foram estudadas entre duas e três amostras de 52 produtos, num total de 142 amostras de arroz vendidas nos Estados Unidos. O arsénio inorgânico foi detetado em todas. Contudo, os basmatis apresentaram uma média de 55 partes por mil milhões, ou ppb, e os arrozes para sushi 57 ppb. O arroz integral registou, em média, 113 ppb, contra 72 ppb no arroz branco.
A Consumer Reports continua a apontar o basmati branco proveniente da Índia, do Paquistão ou da Califórnia entre as opções que tendem a apresentar menos arsénio inorgânico. A origem, porém, não constitui uma garantia absoluta, uma vez que foram encontradas diferenças entre produtos da mesma variedade. O teste norte-americano não incidiu sobre as mesmas marcas avaliadas em França nem sobre produtos necessariamente comercializados em Portugal. Serve para identificar tendências entre tipos e origens de arroz, não para classificar diretamente os pacotes disponíveis nos supermercados portugueses.
Porque é que o arroz acumula arsénio?
A presença de arsénio no arroz não significa necessariamente que tenha ocorrido contaminação durante a transformação industrial. O elemento existe naturalmente nas rochas, no solo e nas águas subterrâneas, embora atividades industriais e agrícolas também possam aumentar a sua presença no ambiente. O arroz absorve arsénio mais facilmente do que muitos outros cereais porque é frequentemente cultivado em terrenos inundados. Nessas condições, o elemento torna-se mais disponível no solo e pode ser absorvido pelas raízes da planta.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, a EFSA, concluiu, numa avaliação atualizada em 2024, que a exposição alimentar ao arsénio inorgânico continua a constituir uma preocupação para a saúde. O principal risco está relacionado com uma exposição prolongada, e não com o consumo ocasional de uma refeição com arroz.
Arroz biológico não significa menos arsénio
A certificação biológica não garante que um arroz tenha menor concentração de arsénio. Este elemento não é um pesticida aplicado à cultura e pode estar naturalmente presente na água e no terreno onde a planta cresce. Um produto biológico pode ter vantagens relacionadas com as regras de utilização de pesticidas, mas continua exposto aos contaminantes ambientais. Os próprios testes encontraram diferenças entre referências biológicas, mostrando que a certificação não substitui a análise do produto e da respetiva origem.
Cozinhar em mais água pode reduzir a quantidade
A preparação também pode ajudar a diminuir a exposição. A UFC-Que Choisir aconselha a lavar cuidadosamente o arroz antes da cozedura e a enxaguá-lo depois, indicando que esta prática pode retirar uma parte do arsénio e de resíduos presentes à superfície. A agência norte-americana FDA refere que cozinhar o arroz como se fosse massa, utilizando entre seis e dez partes de água para uma de arroz e escorrendo o excesso, pode reduzir entre 40% e 60% do arsénio inorgânico, consoante o tipo de grão.
Este método também tem uma desvantagem: pode eliminar entre 50% e 70% de nutrientes adicionados a alguns arrozes enriquecidos, como ferro, ácido fólico, niacina e tiamina. A água utilizada na lavagem e confeção deve ainda ter qualidade adequada, uma vez que água contaminada pode introduzir mais arsénio no alimento.
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