Com a subida gradual das temperaturas no final do inverno, um fenómeno discreto começa a repetir-se em vários pontos do país. Entre fevereiro e abril, filas de lagartas descem dos pinheiros e atravessam caminhos, parques e jardins. O contacto com estes insetos pode provocar irritações intensas na pele, problemas oculares e dificuldades respiratórias, além de representar um risco sério para animais de companhia.
De acordo com a CUF, rede de hospitais e serviços médicos privados, a chamada lagarta do pinheiro pode provocar reações alérgicas relevantes em pessoas e animais devido aos pelos microscópicos que libertam.
Um comportamento fácil de reconhecer
A lagarta do pinheiro, cientificamente designada Thaumetopoea pityocampa, é uma praga florestal que afeta sobretudo pinheiros-bravos e pinheiros-mansos. O nome popular resulta da forma como estas larvas se deslocam. Avançam em fila indiana, formando longas procissões que podem ter dezenas de indivíduos.
Cada lagarta mede geralmente entre três e quatro centímetros e apresenta uma coloração castanha acinzentada, com pelos finos nas laterais do corpo. Esses pelos contêm substâncias urticantes que podem provocar reações alérgicas quando entram em contacto com a pele, os olhos ou as vias respiratórias.
Durante o inverno, as lagartas permanecem nos ninhos instalados nas copas das árvores. Esses ninhos são visíveis como bolsas brancas e sedosas presas aos ramos mais expostos ao sol.
Quando a temperatura sobe durante vários dias consecutivos, abandonam o ninho e descem até ao solo para completar a fase seguinte do seu ciclo de vida. É nesse momento que o risco de contacto aumenta.
Reações que podem surgir pouco tempo depois
A exposição aos pelos urticantes provoca frequentemente irritação na pele. As reações mais comuns incluem manchas vermelhas, pequenas lesões semelhantes a picadas de inseto e comichão intensa que pode persistir durante vários dias.
Quando os pelos entram em contacto com os olhos, podem causar inflamação ocular significativa. Os sintomas incluem ardor, lacrimejo e sensibilidade à luz. Em situações mais graves, pode surgir inflamação da córnea.
A inalação destes pelos também pode desencadear irritação na garganta, tosse persistente e sensação de aperto no peito. Pessoas com histórico de asma ou alergias respiratórias são particularmente sensíveis a este tipo de exposição.
Animais de companhia entre os mais afetados
Os cães estão entre os animais que mais frequentemente entram em contacto com as lagartas. A curiosidade natural leva-os a aproximar-se das procissões que encontram no chão.
Após o contacto, os sinais podem surgir rapidamente. O animal começa a salivar de forma intensa, demonstra agitação e tenta esfregar o focinho com as patas. A língua pode inchar e apresentar alterações de cor nas zonas afetadas.
Em situações mais graves, podem surgir lesões nos tecidos da boca e da língua. A evolução rápida destas lesões exige normalmente assistência veterinária imediata.
Os gatos tendem a aproximar-se menos das lagartas, mas também podem sofrer consequências caso haja contacto direto.
O que fazer em caso de contacto
Quando ocorre contacto com as lagartas ou com os seus pelos, o primeiro cuidado passa por evitar esfregar a zona afetada. Esse gesto pode libertar mais pelos e agravar a reação.
A pele deve ser lavada abundantemente com água fria durante vários minutos. A água quente não é aconselhada porque facilita a penetração das substâncias urticantes. Nos olhos, a lavagem com água limpa ou soro fisiológico é a primeira medida recomendada.
Sempre que surgirem sintomas respiratórios ou irritações extensas da pele, a avaliação médica torna-se necessária.
Nos animais de companhia, a lavagem imediata da boca com água abundante pode ajudar a remover parte dos pelos, mas a deslocação urgente ao veterinário continua a ser essencial.
Atenção redobrada nesta altura do ano
A presença de ninhos nos pinheiros pode ser identificada durante o inverno. A remoção deve ser realizada por equipas especializadas, uma vez que a manipulação destes ninhos pode libertar grande quantidade de pelos para o ar.
Durante a primavera, evitar zonas com pinheiros em dias mais quentes e vigiar os animais durante os passeios são medidas simples que reduzem o risco de contacto.
Ensinar as crianças a não tocar nas filas de lagartas é igualmente importante, já que a aparência destes insetos pode despertar curiosidade.
A vigilância nesta época do ano torna-se, por isso, essencial. O fenómeno repete-se todos os anos e pode passar despercebido até ao momento do contacto. Segundo a CUF, manter distância das procissões e identificar a presença de ninhos nos pinheiros são medidas fundamentais para reduzir o número de incidentes associados a esta espécie.
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