As doenças transmitidas através de alimentos podem provocar complicações graves, sobretudo quando atingem pessoas vulneráveis. Embora muitas destas infeções não sejam habitualmente fatais, a desidratação e o agravamento de problemas de saúde anteriores podem aumentar consideravelmente os riscos.
Duas pessoas morreram no estado norte-americano do Michigan durante o maior surto de ciclosporíase alguma vez registado nos Estados Unidos. As mortes são as primeiras associadas ao atual surto, que já provocou milhares de infeções.
Vítimas tinham problemas de saúde graves
Segundo a agência internacional de notícias Reuters, as duas vítimas apresentavam problemas de saúde graves antes de contraírem a doença.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos do Michigan, que confirmou os óbitos através da análise dos registos médicos, explicou que a infeção e a desidratação poderão ter agravado essas condições. A entidade recorda que a ciclosporíase raramente provoca a morte. Não foram divulgadas informações adicionais sobre a idade, o local de residência ou o estado clínico das vítimas.
Ligação à alface continua a ser investigada
Uma parte do surto foi associada a alface icebergue proveniente das operações da Taylor Farms no centro do México. O produto terá sido utilizado em restaurantes Taco Bell de vários estados norte-americanos.
De acordo com a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a investigação epidemiológica e o processo de rastreio apontam para alface icebergue cortada e fornecida pela Taylor Farms de Mexico.
A empresa retirou voluntariamente do mercado norte-americano a alface proveniente daquela região. O processo de recolha começou a 17 de julho e incluiu produtos vendidos em estabelecimentos comerciais e distribuídos a restaurantes.
Autoridades admitem outras fontes de contaminação
Apesar da ligação encontrada, os investigadores consideram que a alface identificada poderá não explicar todos os casos registados. As autoridades admitem a existência de vários focos de infeção e continuam a procurar outros alimentos potencialmente contaminados.
A Reuters salienta que ainda não foi possível determinar se as duas vítimas consumiram a alface servida nos restaurantes abrangidos pela investigação ou se terão sido infetadas através de outra fonte ainda desconhecida.
O Departamento de Saúde do Michigan também mantém uma posição prudente. A entidade refere que alfaces e outras verduras podem estar na origem do surto estadual, mas sublinha que nenhum alimento, produtor ou fornecedor explica, até agora, a totalidade das infeções.
Michigan ultrapassa os 11 mil casos
O Michigan permanece como o estado mais afetado. Na atualização divulgada na segunda-feira, 3 de agosto, as autoridades contabilizavam 11.234 casos relacionados com o surto, mais 461 do que na sexta-feira anterior.
Entre as pessoas infetadas, 193 precisaram de hospitalização. O condado de Wayne, onde se encontra a cidade de Detroit, concentrava o maior número de casos, com 1.379 infeções registadas.
Os adultos com idades entre os 30 e os 39 anos formavam o grupo etário mais afetado. Os dados estaduais apontavam para 2.216 casos nesta faixa etária.
Casos nacionais continuam a aumentar
Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos receberam, entre 1 de maio e 27 de julho, notificações de 6.707 casos de ciclosporíase adquiridos no país e confirmados através de análises laboratoriais.
Na atualização publicada a 28 de julho, os CDC indicavam ainda ter conhecimento de mais de 11.500 possíveis infeções que não estavam confirmadas laboratorialmente ou que precisavam de investigação adicional. Uma parte significativa desses casos foi comunicada pelo Michigan e pelo Ohio.
A diferença entre os números federais e estaduais deve-se aos métodos de contagem. Os CDC incluem apenas infeções confirmadas em laboratório, enquanto alguns departamentos de saúde estaduais também contabilizam casos classificados como prováveis.
O que é a ciclosporíase?
A ciclosporíase é uma doença gastrointestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis. A transmissão ocorre através do consumo de água ou alimentos contaminados, sobretudo produtos frescos ingeridos crus.
Os sintomas mais frequentes incluem diarreia intensa, perda de apetite, náuseas, dores e inchaço abdominal, cansaço e perda de peso. Algumas pessoas também podem apresentar vómitos, dores no corpo, febre ou dores de cabeça.
Sem tratamento, a infeção pode prolongar-se durante várias semanas e provocar episódios de recaída. A desidratação e outras complicações representam um risco acrescido para pessoas idosas, imunodeprimidas ou com doenças crónicas.
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