Depois de os tempos terem baixado nas urgências de Faro e Portimão, vários hospitais da Grande Lisboa voltaram a registar demoras acentuadas a 21 de agosto, com os doentes urgentes a aguardarem, em média, cerca de nove horas no Hospital Amadora-Sintra.
A informação oficial daquela unidade apontava para uma espera média de nove horas até à primeira observação médica dos utentes com pulseira amarela. Profissionais de saúde do hospital indicaram, contudo, que as demoras chegavam às 15 horas.
O Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, conhecido como Amadora-Sintra, continua sem disponibilizar os tempos de espera no Portal do Serviço Nacional de Saúde há mais de um mês, situação que justifica com uma intervenção nos sistemas de informação.
Pelas 09:30, o portal mantinha o aviso de indisponibilidade temporária dos dados e encontravam-se 33 doentes urgentes à espera da primeira observação.
A unidade tinha indicado, no início da semana, que esperava resolver o problema até ao final da mesma.
Barreiro com espera próxima das cinco horas
No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, o tempo de espera indicado no Portal do SNS era de quase duas horas.
Já no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, os doentes classificados como urgentes aguardavam perto de cinco horas para serem observados pela primeira vez por um médico.
Pelas 09:45, estavam naquele serviço 24 utentes com pulseira amarela ainda por observar.
No Hospital Garcia de Orta, em Almada, o tempo médio rondava as três horas. A unidade tinha 26 doentes urgentes à espera da primeira avaliação médica.
Os valores registados nestas unidades ultrapassavam o período de 60 minutos recomendado para o atendimento dos casos classificados como urgentes.
Portimão recuperou de indicação superior a três horas
No Algarve, o Portal do SNS chegou a apresentar, ao início da manhã, uma espera superior a três horas no Hospital de Portimão.
A situação alterou-se ao longo da manhã e, pelas 09:45, estavam cinco doentes urgentes à espera da primeira observação, com um tempo médio dentro dos 60 minutos recomendados para a pulseira amarela.
Em Faro, a situação era semelhante, com os tempos de atendimento também dentro dos valores previstos para os casos urgentes.
A evolução ocorre depois de, no fim de semana anterior, a Unidade Local de Saúde do Algarve ter atribuído os elevados tempos então divulgados para Faro e Portimão a falhas no sistema informático.
Sistema Alert é sensível a ocorrências pontuais
A ULS do Algarve explicou que a informação apresentada no Portal do SNS é alimentada pelo sistema Alert.
Em condições normais, aquele sistema calcula os tempos médios de espera com base em poucas horas de atividade, ficando particularmente sensível a ocorrências pontuais ou a registos anómalos.
No fim de semana anterior, os dados chegaram a indicar 17 horas de espera para um doente “muito urgente” em Portimão, valor que a administração da ULS classificou como incorreto e atribuiu a um problema informático.
O Portal do SNS reúne a informação relativa aos tempos de espera nos serviços de urgência de todo o país.
De acordo com o sistema de triagem, os doentes muito urgentes, identificados com pulseira laranja, devem ser atendidos nos dez minutos seguintes. Os casos urgentes, com pulseira amarela, têm um tempo recomendado de 60 minutos, enquanto os pouco urgentes, com pulseira verde, não deverão esperar mais de 120 minutos.
A.Pinto / HDF
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