Sediada em Vila Real de Santo António, a ambulância que transportou Marcelo Rebelo de Sousa para o hospital, a 12 de agosto, foi apontada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar como exemplo da redução de meios prevista no INEM.
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, afirmou, a 13 de agosto, que aquela ambulância de Suporte Imediato de Vida poderá ser transformada, nos próximos meses, numa viatura ligeira de assistência, sem capacidade para transportar doentes.
“A ambulância que socorreu o ex-Presidente da República, sediada em Vila Real de Santo António, é uma das que, se a ideia não for travada entretanto, o INEM vai transformar nos próximos meses em viatura ligeira, sem capacidade de transportar o doente”, declarou o dirigente sindical.
Sindicato aponta escassez de ambulâncias no Algarve
Rui Lázaro sustentou que, caso a alteração já estivesse em vigor, Marcelo Rebelo de Sousa teria de permanecer no local até ser encontrada outra ambulância capaz de assegurar o transporte para uma unidade hospitalar.
O responsável afirmou que, naquele dia, existia “um problema de escassez de ambulâncias no Algarve”.
Para o dirigente sindical, este caso contraria as garantias dadas pelo presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica, Luís Mendes Cabral, sobre o reforço da capacidade de resposta.
“A retórica do presidente do INEM tem sido contrariada à medida que se vai confrontando com os factos”, acusou Rui Lázaro. O sindicalista admitiu ainda que a contestação dos trabalhadores poderá endurecer, num momento em que as estruturas representativas mantêm críticas às alterações previstas para o dispositivo de emergência médica.
Viaturas SIV poderão deixar de transportar doentes
O INEM confirmou anteriormente a transferência das suas ambulâncias de emergência médica para as Unidades Locais de Saúde e a transformação das atuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida em viaturas ligeiras.
As equipas SIV são constituídas por um enfermeiro e por técnicos de emergência pré-hospitalar. No modelo contestado pelo sindicato, as novas viaturas poderão prestar assistência no local, mas deixarão de ter capacidade para transportar doentes para os hospitais.
O STEPH considera que a mudança reduzirá a capacidade de transporte de pessoas em situações urgentes e emergentes, podendo aumentar o tempo necessário para a chegada a uma urgência hospitalar em algumas regiões do país.
No final de julho, o presidente do INEM recusou a existência de qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica ou a retirada de 100 ambulâncias, como então denunciaram os trabalhadores.
Manifesto já tinha sido entregue a Marcelo
As críticas do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar antecedem o episódio ocorrido no Algarve. Em junho, o STEPH entregou na Presidência da República um manifesto em defesa da emergência médica, no qual alertava para as consequências das mudanças projetadas para o instituto.
O documento já contestava a transformação das ambulâncias SIV em “carros ligeiros” e advertia para a perda de capacidade de transporte de doentes.
Rui Lázaro criticou também uma entrevista de Luís Mendes Cabral à Antena 1 e à RTP, divulgada a 13 de agosto, no mesmo dia em que estava prevista uma reunião entre o sindicato e a Comissão de Trabalhadores do INEM.
O presidente do STEPH classificou a intervenção pública do responsável como uma “atitude desesperada”. “Vem no seguimento dos ziguezagues e dos recuos a que já se viu obrigado”, afirmou, apontando como exemplo as decisões relacionadas com a formação dos técnicos de emergência pré-hospitalar.
Sindicato critica relação com estruturas dos trabalhadores
Rui Lázaro acusou ainda o presidente do INEM de tentar “desvalorizar as estruturas que representam os trabalhadores”. O dirigente argumentou que o diálogo mantido pelo sindicato e pela Comissão de Trabalhadores permitiu desbloquear várias situações relacionadas com o funcionamento do instituto.
Na sua perspetiva, o Governo não deve ignorar os avanços e recuos associados ao processo de reorganização do INEM. Rui Lázaro considerou que o executivo poderia aproveitar a entrada em vigor da nova lei orgânica para nomear “um Conselho de Administração com mais competência para gerir os destinos do instituto”.
A.Pinto / HDF















