No mundo das capitais europeias da cultura e das capitais nacionais da cultura, há silencio e parece que ninguém se preocupa em dizer ou fazer algo que contribua para parar o genocídio em Gaza.
So é possível ficar impotente e em silêncio absoluto enquanto crianças são forçadas a morrer de fome e civis são mortos por bombas e armas?
Uma capital da cultura, uma cidade que faz da cultura o seu objetivo estratégico, pode dizer ou fazer alguma coisa, mesmo que à sua maneira, ~com os seus valores cívicos e culturais para acabar com a barbárie. É verdade que cada vez mais governos nacionais, que também representam as capitais da cultura, estão a tomar uma posição clara e inequívoca contra a ocupação de Gaza.
Mas talvez uma palavra deva ser dita no mundo da cultura.
Quase 380 escritores do Reino Unido e da Irlanda, incluindo Zadie Smith e Ian McEwan, denunciaram o “genocídio” em Gaza numa carta aberta, apelando a um cessar-fogo. Massive Attack, Fontaines D.C., Brian Eno e Kneecap formaram um sindicato de artistas para denunciar os acontecimentos em Gaza.

Há que não esquecer que o povo israelita, a maioria do povo israelita, não é culpado, mas sim vítima. Na verdade, são duplas vítimas. Vítimas uma vez por causa da barbárie cometida pelo Hamas naquele, de negra memoria, 7 de outubro. Vítimas uma segunda vez porque, devido às escolhas equivocas do governo, o povo israelita vê se cada vez mais isolado, com feridas antigas que correm o risco de reabrir.
E assim como os artistas israelitas não são culpados, mas vítimas.
Mais de mil músicos, escritores e atores israelitas apelaram ao primeiro-ministro para parar a guerra em Gaza e acusaram o Governo de assassinar deliberadamente civis palestinianos.
E as capitais da cultura têm algo a dizer? A cultura pode ser verdadeiramente um antídoto contra a barbárie. Mas, para ser assim, a cultura deve semear conhecimento, humanidade e bondade, e não deve ficar indiferente às escolhas políticas. As capitais não são entidades abstratas, não são rótulos, mas o resultado de ações concretas que envolvem centenas, por vezes milhares, de cidadãos.
Assim, poderia assumir um grande valor simbólico se as capitais nacionais ou europeias da cultura decidissem claramente,
– incluir artistas e outros agentes culturais palestinos, como escritores e conferencistas, nas suas programações,
– Preparassem eventos culturais como concertos e exposições para assinalar a Paz que, tardando, terá de chegar, e que em conjunto se tornarão, digitalmente, em Gaza Capital global da cultura.
– No dia 7 de outubro, as luzes de um monumento simbólico na capital, em sinal de luto e repudio, sejam apagadas.
Os programas das capitais europeias da cultura não podem ficar indiferentes. Permanecer indiferente e silencioso significa não admitir que a cultura possa ser um antídoto contra a barbárie.
Permanecer em silêncio significa não existir, mas é preciso continuar humanos. Juntos.
Edição e adaptação de João Palmeiro com ECOCNews.

*ECOC’s. European Capitals of Culture
Nota do Editor – Este texto assinala a 100ª publicação de informação do projeto de “Atenas 1985 a Évora 2027”, iniciado em fevereiro último. E, este carácter excecional de centenário, permite uma abordagem excecional fundada numa atualid.de que não emana do mundo da cultura. Com esperança na Paz (em Gaza como na Ucrânia com a candidatura de Lvov a ecoc 20230) regressaremos a informação habitual.
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