Apostas online: o vício que cresce com um toque no ecrã
O jogo e as apostas online tornaram-se uma realidade cada vez mais presente em Portugal. Em poucos anos, o setor passou de uma atividade ainda relativamente limitada para um mercado de grande dimensão, com milhões de contas ativas, volumes de apostas muito elevados e uma receita crescente para operadores e Estado.
Entre 2018 e 2025, o volume total de apostas online aumentou de 2.432 milhões de euros para 23.131 milhões de euros. No mesmo período, a receita bruta de exploração do setor — isto é, o valor apostado menos os prémios pagos aos jogadores — subiu de 152 milhões para 1.206 milhões de euros. Na prática, este é o montante que os jogadores perderam, em termos líquidos, nas plataformas de jogo e apostas online.
O crescimento é expressivo quando analisado por adulto residente em Portugal. Em 2018, a perda média anual era de apenas 18 euros por cada residente com 18 ou mais anos. Em 2025, esse valor chegou aos 133 euros. Como nem todos os adultos jogam online, isto significa que a perda média por jogador ativo será, naturalmente, bastante superior.
A expansão do setor também se reflete no número de contas ativas, que passou de 1,2 milhões em 2018 para 4,9 milhões em 2025. Embora uma mesma pessoa possa estar registada em várias plataformas, estes números mostram a forte massificação do jogo online em Portugal.
Há outro indicador que merece atenção: os pedidos de autoexclusão. Este mecanismo, disponibilizado pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, permite aos jogadores bloquearem o seu próprio acesso às plataformas, funcionando como medida de proteção em casos de comportamento de risco. Entre 2018 e 2025, o número de contas autoexcluídas aumentou de 31,5 mil para 361 mil.
O Estado também tem beneficiado diretamente deste crescimento. A receita obtida através do Imposto Especial de Jogo Online subiu de 67 milhões de euros em 2018 para 353 milhões de euros em 2025. Por adulto português, esta receita passou de 8 para 39 euros.
A evolução reflete a digitalização do entretenimento e a facilidade de acesso às apostas através de smartphones e aplicações móveis. Mas levanta igualmente preocupações sérias: dependência, endividamento e impactos sociais, sobretudo entre os mais jovens e utilizadores mais frequentes.
- Os factos vistos à lupa por André Pinção Lucas e Juliano Ventura – Uma parceria do POSTAL com o Instituto +Liberdade

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