Caros leitores e leitoras — se, generosamente, os tiver, não usurpando o José Milhazes todas as atenções — , confesso: estou em sobressalto.
Não, não é medo de tanques russos a descerem a Avenida da Liberdade. Eles têm terra que nunca mais acaba, não precisam do nosso retângulo à beira-mar plantado. O meu verdadeiro receio é outro. Mais doce. Mais cremoso. Mais patriótico.
Temo que os russos venham raptar os nossos pasteleiros de Belém.

Jurista
Há coisas que são sagradas. E o pastel de nata é uma delas. Se o Kremlin quer provar, que venha como toda a gente: faça fila, pague, e queime a língua como qualquer mortal
Sim, os mestres da massa folhada e do creme divino estão em risco. Imaginem um comando russo altamente treinado, infiltrado entre turistas, a levar os nossos pasteleiros para Moscovo. Lá, seriam forçados a produzir pastéis de nata em série, numa fábrica secreta, para abastecer não só o mercado russo, mas também para exportação massiva para a China e — pasme-se — para a Coreia do Norte!
Uma espécie de Operação Nata Vermelha.
E quem nos defenderia desta ameaça? Os nossos generais de televisão, claro! Aqueles que aparecem em todos os canais, com ar grave e mapas atrás, a comentar a guerra na Ucrânia como se estivessem a analisar o Benfica com os netos. O problema? Não acertam uma. Salvo honrosas exceções que confirmam a regra. Se dependermos deles, os pasteleiros acabam a fazer turnos em Vladivostok e os pastéis de nata passam a ser vendidos com vodca e propaganda.
Por isso, proponho medidas urgentes:
• Criação da Guarda Nacional Pasteleira (GNP), com treino em pastelaria e contraespionagem.
• Instalação de um radar antirrusso no topo da Torre de Belém, com sensores de cheiro a canela.
• Reforço da segurança nas pastelarias com agentes disfarçados de turistas alemães, como o agente Hans Pastelmann.
Porque há coisas que são sagradas. E o pastel de nata é uma delas.
Se o Kremlin quer provar, que venha como toda a gente: faça fila, pague, e queime a língua como qualquer mortal.
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