Ah, a Europa! Tão velha, tão decrépita, que já nem se apercebe que se tornou a avozinha da aldeia global. Aquela que passa os dias a contar histórias da sua juventude gloriosa, do tempo em que mandava no mundo, enquanto os netos — mais espertos, mais rápidos, mais impiedosos — lhe roubam a carteira e ainda lhe pedem gorjeta. É de um patetismo comovente, esta teimosia em acreditar que ainda se senta à mesa dos grandes, quando já nem é chamada para pôr os talheres.
A prova mais recente do seu declínio? Um espetáculo digno de um teatro do absurdo, com direito a palhaços diplomáticos e cenário de opereta. Primeiro, em Pequim. A nossa nobre comitiva de líderes — a senhora von der Leyen e o incomparável António Costa — chega à China, esperando as honras de um imperador. E o que têm, afinal, à espera ao sair do avião? Um simples autocarro, igualzinho àquele que transporta turistas pelo Bairro Alto. A China, com a delicadeza de um elefante numa loja de cristais, mostra-nos o nosso lugar: na fila, ao lado dos passageiros de companhias aéreas de baixo custo.

Jurista
A Europa não é mais que um velho retrato a óleo numa parede empoeirada, irrelevante para a vida que se desenrola lá fora. Continua a gabar-se de um passado que já não volta, enquanto o presente lhe escapa por entre os dedos como areia fina
Como se o bofetão chinês não fosse suficiente, o Tio Sam aplicou-lhe outro. A senhora Presidente da Comissão Europeia viaja até à Escócia para, num seu clube de golfe, se encontrar com o grande Donald Trump — esse monumento à diplomacia em formato de boné vermelho. E o que se passa? O nosso herói, entre um putt e um tweet, decide que a reunião pode esperar. Afinal, um buraco de golfe é mais importante que o futuro da Europa. A senhora von der Leyen, paciente e resignada, espera que o jogo acabe. A imagem é perfeita: a Europa ajoelhada, enquanto o mundo lhe passa por cima com os spikes das botas.
A Europa não é, pois, mais que um velho retrato a óleo numa parede empoeirada, irrelevante para a vida que se desenrola lá fora. Continua a gabar-se de um passado que já não volta, enquanto o presente lhe escapa por entre os dedos como areia fina. E se não despertar depressa, não vai sobrar nada para chorar — a não ser a fatura da limpeza do pó das suas memórias. É desta forma que se escreve o epitáfio de um continente que, de tanto olhar para trás, se esqueceu de olhar para a frente. E quando finalmente se erguer do sofá, talvez perceba que o mundo já lhe vendeu o lugar — e com desconto, porque ninguém paga caro por antiguidades sem valor.
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