O jogador de futebol português Cristiano Ronaldo é conhecido pela disciplina dentro e fora do campo, e a alimentação ocupa um lugar central nessa rotina. O internacional português evita açúcar e alimentos ultraprocessados há vários anos, mantendo uma dieta assente em refeições regulares, proteína magra, peixe, vegetais e hidratos de carbono de melhor qualidade.
Mas Ronaldo não é o único caso. De Lionel Messi a Robert Lewandowski e Erling Haaland, a alimentação dos grandes nomes do futebol tornou-se uma parte cada vez mais importante da preparação física. De acordo com O Globo, site brasileiro de attualidade, a chef brasileira Cândida Batista, que vive há 20 anos na Europa e trabalha num restaurante selecionado pelo Guia Michelin, em Viena, analisou alguns dos hábitos alimentares mais curiosos dos craques.
Ronaldo e as seis refeições por dia
Cristiano Ronaldo talvez seja o exemplo mais mediático de rigor alimentar no futebol moderno. Segundo O Globo, o jogador já revelou que costuma dividir a alimentação em até seis refeições menores ao longo do dia. A ideia passa por manter energia estável, evitar grandes quebras e garantir ao corpo os nutrientes necessários para treinar, recuperar e competir.
A base da alimentação do português passa por proteínas magras, vegetais e hidratos de carbono integrais. O peixe surge com frequência na sua rotina e há um prato tradicional português que continua associado às suas preferências: o bacalhau à Brás.
Ainda assim, o detalhe mais repetido ao longo dos anos é a relação de Cristiano Ronaldo com o açúcar. Ex-chefs ligados à rotina do jogador referiram que o avançado evita açúcar e alimentos ultraprocessados, mesmo fora das fases mais intensas da época.
“Coma regularmente”
A disciplina alimentar de Ronaldo não se resume à escolha dos alimentos. O jogador já defendeu a importância de comer com regularidade, frase que resume bem a sua abordagem à nutrição. Em vez de refeições muito pesadas e espaçadas, a lógica passa por distribuir melhor a ingestão ao longo do dia.
Este tipo de rotina exige planeamento. Para um atleta de elite, cada refeição é pensada em função do treino, do descanso, da recuperação muscular e do calendário competitivo. É por isso que a alimentação deixou de ser vista apenas como uma questão estética. No futebol atual, comer bem passou a ser também uma ferramenta de rendimento.
Messi também mudou a dieta
Lionel Messi teve uma relação diferente com a alimentação ao longo da carreira. O argentino já admitiu que, numa fase anterior, consumia refrigerantes e alimentos menos adequados para um atleta de elite. Mais tarde, mudou a rotina alimentar, apostando em refeições mais leves, vegetais, azeite e opções mais simples.
Segundo O Globo, essa transformação aconteceu com o apoio do nutricionista italiano Giuliano Poser, que trabalhou com Messi numa fase importante da carreira. A mudança ajudou a reforçar uma tendência cada vez mais clara no futebol: os melhores jogadores não cuidam apenas do treino com bola ou da condição física. Também ajustam o prato ao objetivo de prolongar a carreira e manter rendimento ao mais alto nível.
Sobremesa antes do prato principal
Robert Lewandowski entra nesta lista por um hábito pouco comum. O avançado polaco já contou que prefere comer a sobremesa antes do prato principal, por acreditar que isso ajuda na digestão dos doces. A prática é invulgar e não faz parte das recomendações mais comuns no desporto, mas tornou-se uma curiosidade associada à sua rotina.
Lewandowski é, ainda assim, conhecido por uma preparação física muito cuidada. A longevidade competitiva do avançado mostra como a alimentação, o treino e a recuperação passaram a ser tratados como partes da mesma estratégia. No futebol de elite, pequenas escolhas repetidas durante anos podem ter impacto relevante na consistência de um jogador.
Haaland e o fígado bovino
Erling Haaland segue uma linha mais extrema e tem hábitos que chamaram a atenção fora do mundo do futebol. O avançado norueguês já revelou consumir fígado e coração bovino dentro de uma dieta que pode rondar as seis mil calorias diárias. “Você não come isso, mas eu preocupo-me em cuidar do meu corpo”, afirmou Haaland num documentário sobre a própria rotina, citado por O Globo.
A escolha gerou curiosidade por fugir ao padrão alimentar mais comum entre atletas. Ainda assim, encaixa numa abordagem centrada na densidade nutricional, na recuperação e na elevada exigência física de um jogador com o perfil de Haaland. Para sustentar velocidade, força e explosão durante uma época longa, o consumo energético do avançado é naturalmente elevado.
Chefs particulares ganham terreno
A alimentação dos craques já não depende apenas do que é servido nos centros de treino dos clubes. Segundo Cândida Batista, muitos jogadores europeus passaram a montar equipas particulares para controlar a alimentação também fora do contexto do clube. Chefs privados preparam menus adaptados ao momento da época, ao volume de treino, à recuperação muscular e até aos períodos de descanso.
Um dos nomes mais conhecidos neste universo é Jonny Marsh, chef que ganhou destaque ao criar menus personalizados para atletas da Premier League. Esta profissionalização mostra como a cozinha passou a integrar a estrutura de apoio dos jogadores, ao lado de preparadores físicos, fisioterapeutas, nutricionistas e analistas de desempenho.
A cozinha como parte do treino
Para Cândida Batista, o futebol moderno mudou por completo a forma como os atletas olham para a comida. “Hoje, muitos jogadores tratam a alimentação quase como parte do treino”, afirmou a chef ao analisar estas rotinas. A ideia resume a transformação dos últimos anos: a dieta deixou de ser um detalhe secundário e passou a fazer parte da preparação invisível dos craques.
A própria chef conclui que “a cozinha desses atletas virou quase uma extensão da academia”. No final, os hábitos alimentares de Cristiano Ronaldo, Messi, Lewandowski e Haaland mostram que a diferença no futebol de elite não está apenas no talento. Está também na disciplina diária, na recuperação, no descanso e na forma como cada jogador organiza aquilo que coloca no prato.
















