A nova campanha da cereja do Fundão já começou e trouxe consigo sinais contraditórios para a região. Se por um lado o arranque da época ficou marcado por um ambiente festivo e por um leilão solidário que voltou a captar atenções, por outro os produtores enfrentam perdas significativas devido às condições meteorológicas registadas nas últimas semanas.
De acordo com o portal NiT, a apanha oficial arrancou a 18 de maio e foi acompanhada pela oitava edição do tradicional leilão solidário promovido pela Câmara Municipal do Fundão. Nesta edição, 33 cerejas foram vendidas por 820 euros, um valor que acabou por chamar a atenção para o início da nova campanha agrícola.
Leilão simbólico que voltou a atrair atenções
As primeiras cerejas chegaram ao centro da cidade acompanhadas pelo motoclube “Os Trinca Cerejas”, num momento que marcou simbolicamente o arranque da colheita. Segundo a mesma fonte, os frutos colocados em leilão foram escolhidos especificamente para esta ação solidária.
O valor angariado será entregue à Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, sediada no Fundão. A iniciativa tem vindo a repetir-se ao longo dos últimos anos e tornou-se um dos momentos mais mediáticos associados ao início da campanha da cereja na região.
Produção afetada pelo mau tempo
Apesar do ambiente de celebração, os produtores enfrentam dificuldades provocadas pelas condições climatéricas. A chuva intensa e os episódios de granizo registados durante o mês de maio acabaram por afetar parte considerável da produção deste ano.
Segundo a mesma fonte, os prejuízos poderão atingir entre 30% e 35% da colheita. Os números foram avançados pela Câmara Municipal do Fundão, que admite impactos relevantes numa das produções agrícolas mais emblemáticas do concelho.
Campanha que vai além da fruta
A cereja do Fundão continua, ainda assim, a assumir um papel central na estratégia de promoção turística e gastronómica da região. Ao longo das próximas semanas vão decorrer várias iniciativas dedicadas ao fruto e aos seus derivados.
A programação inclui ações de divulgação gastronómica, experiências ligadas à doçaria regional e eventos destinados a promover diferentes utilizações da cereja. O objetivo passa por manter o produto associado à identidade local e reforçar a procura durante os meses de maior movimento.
Aposta no turismo durante a época da apanha
A campanha da cereja tem também um peso importante no turismo regional. A chegada da época da apanha costuma atrair visitantes interessados em conhecer os pomares, participar em eventos temáticos e experimentar produtos locais ligados à cereja.
Escreve a publicação que a campanha deverá prolongar-se até ao final de julho, período em que o concelho espera receber milhares de visitantes. A cereja continua a funcionar como um dos principais cartões de visita do Fundão durante os meses mais quentes do ano.
Símbolo que continua a marcar a região
Ao longo dos últimos anos, a cereja do Fundão consolidou-se como um dos produtos agrícolas portugueses com maior reconhecimento nacional. Além da produção em fresco, o fruto tem vindo a ser utilizado em compotas, sobremesas, bebidas e outras propostas gastronómicas.
Segundo a mesma fonte, a autarquia pretende continuar a apostar na valorização do produto, mesmo num ano marcado por perdas provocadas pelo estado do tempo. A promoção da cereja continua a ser vista como uma forma de apoiar os produtores e dinamizar a economia local.
Entre a tradição e as dificuldades do setor
O início da campanha acabou assim por juntar dois cenários distintos. De um lado, um leilão solidário que voltou a gerar curiosidade em torno de um pequeno lote de cerejas vendido por centenas de euros. Do outro, produtores preocupados com os efeitos do granizo e da chuva numa colheita que já sofreu quebras antes mesmo de atingir o pico da apanha.
Ainda assim, a região prepara-se para manter a tradição e prolongar as iniciativas dedicadas à cereja nas próximas semanas, numa altura em que o fruto continua a assumir um papel central na economia e na imagem do Fundão.
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