A injeção experimental “amivantamab”, que apresentou resultados promissores no tratamento do cancro da cabeça e pescoço, vai começar a ser testada em Portugal. O tratamento será administrado em cinco hospitais portugueses no âmbito de um ensaio clínico internacional que pretende avaliar a sua eficácia em centenas de doentes.
De acordo com a SIC Notícias, os resultados mais recentes foram apresentados no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). O medicamento, desenvolvido pela Johnson & Johnson, foi testado em 102 doentes e conseguiu reduzir os tumores em 28 participantes. Em 15 desses casos, os tumores desapareceram por completo durante o estudo.
Cinco hospitais portugueses vão participar
A próxima fase do ensaio envolverá cerca de 500 doentes de vários países. Portugal integra essa nova etapa através dos hospitais de Portimão, Gaia-Espinho, IPO do Porto, Santa Maria e CUF Descobertas.
Segundo a mesma fonte, o estudo destina-se a pessoas com carcinomas da cabeça e pescoço que já não podem ser tratados através de terapias locais. O primeiro doente português deverá entrar no ensaio ainda durante este mês.
Em declarações citadas pela mesma publicação, o oncologista Diogo Alpuim Costa, investigador principal do estudo em Portugal, confirmou que a inclusão dos primeiros participantes está já em fase de preparação.
Como atua o tratamento
O “amivantamab” distingue-se também pela forma de administração. Em vez de ser administrado por via intravenosa, é aplicado sob a pele de três em três semanas, tornando o processo mais simples para os doentes.
O jornal The Guardian explica também que o medicamento atua sobre diferentes mecanismos associados ao crescimento do cancro. Por um lado, bloqueia o EGFR, uma proteína que favorece o desenvolvimento dos tumores. Por outro, atua sobre o MET, uma via utilizada por células cancerígenas para resistirem aos tratamentos. Além disso, o tratamento ajuda a estimular a resposta do sistema imunitário contra a doença.
Resultados encorajadores
Os dados divulgados até ao momento indicam que a maioria dos efeitos secundários observados foi ligeira ou moderada. Acrescenta a publicação britânica que menos de um em cada 10 participantes precisou de interromper o tratamento.
O medicamento está também a ser estudado noutras formas de cancro, incluindo tumores do pulmão, cérebro, estômago, cólon e reto. Atualmente existem dezenas de ensaios clínicos em curso para avaliar o seu potencial em diferentes tipos de doença.
Em Portugal são diagnosticados todos os anos entre 2.500 e 3.000 casos de cancro da cabeça e pescoço. Mais de metade é detetada numa fase avançada, o que torna particularmente relevantes os estudos que procuram novas opções terapêuticas para estes doentes.
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