O preço da botija de gás deverá registar uma subida acentuada em abril, com a ANAREC a alertar para aumentos que podem chegar aos 15 euros no caso das garrafas de 45 quilos. A associação diz que a atualização entra em vigor a partir de quarta-feira, 1 de abril, e avisa que o impacto poderá ser especialmente pesado para as famílias que dependem do GPL engarrafado para cozinhar, aquecer água ou assegurar outras necessidades básicas.
Segundo Mafalda Trigo, vice-presidente da ANAREC, o agravamento deverá rondar os três euros nas garrafas de 13 quilos e os 15 euros nas de 45 quilos. Citada pelo ECO, a responsável justificou esta subida com a forma como o preço deste produto costuma ser ajustado, já que no gás engarrafado as oscilações tendem a refletir-se de forma mensal, ao contrário do que acontece com combustíveis como a gasolina e o gasóleo.
A associação liga esta pressão ao atual contexto internacional, nomeadamente ao conflito com o Irão, que tem continuado a afetar os preços da energia. Ainda em março, a própria ANAREC já tinha avisado que o setor do gás engarrafado estava sob pressão e que a volatilidade dos mercados internacionais estava a empurrar os preços para cima.
Subida chega depois de semanas de pressão nos mercados
A nova previsão surge numa altura em que os preços energéticos continuam muito sensíveis à instabilidade geopolítica. De acordo com a ANAREC, o salto que agora deverá sentir-se nas garrafas de gás resulta de um ajustamento que foi sendo adiado e que acaba por concentrar-se no arranque de abril.
No caso das famílias que usam garrafas maiores, o impacto poderá ser particularmente expressivo. Se a estimativa avançada pela associação se confirmar, uma botija de 45 quilos poderá sofrer um agravamento de 15 euros de uma só vez, num aumento com peso direto nos encargos mensais de muitos agregados.
Os dados mais recentes da ERSE ajudam a enquadrar esta subida. No relatório mensal de dezembro de 2025, o regulador indicava um preço eficiente de 32,47 euros para a garrafa T3 de 13 quilos de butano e de 111,82 euros para a garrafa T5 de 45 quilos de propano. Estes valores servem de referência para perceber a dimensão do agravamento agora antecipado para abril.
Famílias e empresas podem sentir novo aperto
A ANAREC alerta que esta escalada poderá pesar no orçamento das famílias que mais dependem desta forma de energia. Em muitas zonas do país, sobretudo onde não existe rede de gás natural, o GPL engarrafado continua a ser uma solução essencial no consumo doméstico.
Além do impacto nos consumidores, a associação tem defendido medidas fiscais de alívio semelhantes às adotadas em Espanha. No início de março, a ANAREC pediu ao Governo que estendesse ao gás de botija mecanismos de apoio comparáveis aos previstos para combustíveis líquidos, invocando uma necessidade de maior equidade no tratamento do setor.
A mesma associação sustenta que a evolução dos preços não depende da margem dos revendedores, que, segundo Mafalda Trigo, se mantém fixa em cerca de três cêntimos por litro no caso dos combustíveis. A pressão, diz, vem sobretudo das cotações internacionais e do agravamento do custo da energia em contexto de conflito.
Abril arranca com más notícias no gás engarrafado
A previsão agora avançada aponta para uma das subidas mais fortes dos últimos tempos no gás de botija, num momento em que os consumidores continuam também atentos à evolução da gasolina e do gasóleo. No caso do GPL engarrafado, porém, o salto poderá sentir-se de forma mais brusca logo no início do mês.
Para quem depende desta energia no dia a dia, abril poderá começar com uma despesa mais pesada. E, numa altura em que o custo de vida continua sob pressão, a perspetiva de um aumento tão expressivo no preço da botija de gás deverá voltar a colocar este tema no centro das preocupações de muitas famílias portuguesas.
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