Durante 13 anos, atravessar a Ponte 25 de Abril em agosto tinha uma particularidade que hoje já pertence ao passado: os automobilistas estavam isentos do pagamento da portagem. A medida vigorou entre 1998 e 2011 e permitiu que, durante o principal mês de férias, a passagem entre Lisboa e a margem sul fosse feita sem esse custo.
A isenção chegou a fazer parte dos hábitos de algumas famílias. Para um condutor que escreveu uma crónica para o portal Razão Automóvel, a possibilidade de cruzar a ponte sem pagar era uma tradição familiar associada às viagens de agosto. Só que, quando chegou a altura de poder conduzir, a medida já tinha terminado.
Quando agosto significava atravessar sem pagar
A Ponte 25 de Abril, que durante algum tempo também teve outra designação, marcou desde cedo as memórias do autor do relato. A estrutura metálica, o som produzido pelos veículos sobre o piso e a paisagem sobre o Tejo eram elementos associados às viagens de infância.
Em casa, a travessia tinha ainda outra particularidade. O pai reservava a preferência pela chamada “ponte velha” para um período específico do ano. Em agosto, a passagem deixava de implicar o pagamento de portagem, uma situação que se repetia todos os anos.
Medida começou em 1998
A isenção foi criada em 1998, na sequência dos acordos celebrados entre o Estado e a Lusoponte relacionados com a construção e exploração da Ponte Vasco da Gama.
Durante o mês de agosto, a concessionária deixava de cobrar a portagem aos automobilistas e era compensada financeiramente pelo Estado. A medida pretendia facilitar as deslocações durante o período de férias, numa altura em que a circulação entre as duas margens do Tejo assumia particular importância.
Poupança para quem atravessava
A decisão tinha também um impacto direto nos custos das deslocações de muitas famílias. Durante um mês, quem utilizava regularmente a ponte podia fazer a travessia sem pagar a portagem, incluindo quem se deslocava entre Lisboa e a margem sul em período de férias.
Para o condutor que recorda essa época, a possibilidade de beneficiar da isenção acabou por ganhar um significado especial. Quando começou a aproximar-se o momento de tirar a carta de condução, esperava poder fazer o mesmo que o pai e aproveitar um agosto inteiro sem pagar pela passagem.
“Borla” terminou em 2011
A tradição acabou, contudo, antes de isso acontecer. Em 2011, durante o período de crise financeira e de aplicação das medidas de austeridade associadas ao programa da Troika, o Estado decidiu terminar a isenção.
A suspensão da medida representou uma redução da despesa pública. A estimativa apontava para uma poupança anual de cerca de 3,7 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 120.000 euros por dia durante o mês em que anteriormente vigorava a isenção.
Alternativa passou a ser outra ponte
O fim da medida coincidiu com uma mudança nos hábitos de quem tinha de escolher entre as duas travessias. Para o autor da crónica, que só obteve a carta de condução em 2013, a Ponte Vasco da Gama passou a ser uma opção mais frequente.
A travessia pela ponte inaugurada em 1998 tinha um custo superior, mas apresentava uma vantagem para quem procurava poupar tempo. Evitar parte do congestionamento habitual da Ponte 25 de Abril tornou-se uma razão para escolher esse percurso, mesmo com uma portagem mais elevada.
Tradição que ficou na memória
Com o passar dos anos, a relação com a Ponte 25 de Abril mudou. O condutor diz ter voltado a utilizá-la com frequência e afirma que atualmente a atravessa quase todos os dias. A estrutura continua, segundo o próprio, a marcar a paisagem de Lisboa.
A recordação da antiga isenção, porém, permanece. “Não me importava nada de recuperar, pelo menos durante um mês, aquela tradição que nunca cheguei a aproveitar”, escreve o autor. A frase resume uma medida que terminou há 15 anos, mas que ainda é lembrada por quem viveu os verões em que atravessar a ponte em agosto não tinha esse custo.















