Há trabalhadores das Finanças a desempenhar funções em repartições onde os termómetros ultrapassam os 30 graus. A denúncia é feita pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, que fala em situações de “desespero autêntico” e prepara uma nova queixa às autoridades.
Segundo a TSF, os problemas terão sido agravados pela onda de calor sentida nos últimos dias, mas o sindicato garante que muitas das deficiências já se arrastam há vários anos.
Além dos funcionários, também os contribuintes que precisam de se deslocar presencialmente aos serviços ficam expostos às elevadas temperaturas no interior dos edifícios.
Climatização está avariada nestes serviços
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, a degradação dos sistemas de climatização afeta vários edifícios públicos nos distritos de Faro e Santarém.
No Algarve, as repartições de Albufeira, Faro, Lagoa, Portimão, Silves, Tavira e Vila do Bispo terão os equipamentos de climatização totalmente avariados.
Já os serviços de Aljezur, Loulé e Vila Real de Santo António estarão a funcionar com anomalias nos respetivos sistemas.
Situação também afeta várias localidades de Santarém
No distrito de Santarém, o sindicato aponta problemas nas repartições de Vila Nova da Barquinha, Coruche, Constância, Tomar, Entroncamento e Almeirim.
Nestes locais, a climatização será inexistente ou inadequada para garantir condições mínimas de conforto térmico aos trabalhadores.
O presidente do sindicato, Gonçalo Rodrigues, explicou à TSF que estas não são as únicas regiões afetadas, mas correspondem às denúncias mais recentes recebidas por causa das temperaturas elevadas.
Há funcionários a falar em trabalhar de calções
“Há colegas em situações de desespero autênticas”, afirmou o dirigente sindical, sublinhando que alguns trabalhadores já tentam brincar com a situação para lidar com o desconforto.
De acordo com Gonçalo Rodrigues, há funcionários a dizer que terão de trabalhar de chinelos e calções devido ao calor sentido no interior das repartições.
O sindicalista considera “completamente impossível” trabalhar num serviço de Finanças com temperaturas exteriores acima dos 40 graus e valores superiores a 30 graus dentro das instalações.
Sindicato denuncia outros problemas nos edifícios
As queixas não se limitam à ausência ou ao mau funcionamento dos sistemas de climatização.
O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos denuncia igualmente infiltrações em tetos e paredes, instalações sanitárias degradadas e falta de manutenção em vários edifícios.
Em alguns serviços, terão sido ainda detetadas baratas e até dejetos de roedores, situações que o sindicato considera incompatíveis com condições de trabalho dignas.
Queixas à ACT não terão resolvido os problemas
O sindicato garante que tem enviado, ao longo dos anos, várias denúncias à Autoridade para as Condições do Trabalho.
A ACT terá feito recomendações à Autoridade Tributária, mas o sindicato afirma que muitas dessas indicações acabaram por não ser cumpridas.
Perante a situação atual nos distritos de Faro e Santarém, será apresentada uma nova queixa, acompanhada por um pedido de maior fiscalização.
Sindicato exige que o Estado dê o exemplo
Gonçalo Rodrigues considera que os serviços públicos deveriam estar sujeitos ao mesmo rigor aplicado às empresas privadas quando existem denúncias sobre más condições de trabalho.
“O Estado tem de dar o exemplo”, defendeu, criticando aquilo que considera ser um tratamento menos exigente por parte das entidades fiscalizadoras.
O sindicato acusa ainda o Ministério das Finanças e as entidades responsáveis de silêncio e inércia perante uma situação que classifica como insustentável.
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