Um empreendedor tecnológico com passado familiar ligado ao sal tradicional de Castro Marim criou uma plataforma digital que centraliza a informação em tempo real, registando o processo de produção e facilitando a certificação da origem, disse o próprio.
Nuno Correia é bisneto de um marnoto de Castro Marim e, ao auxiliar o pai na reabilitação de salinas desativadas na década de 1980, começou a pesquisar a melhor forma de dar informação sobre o produto aos consumidores e percebeu que, para processos de certificação, como a Denominação de Origem Protegida (DOP), era necessário registar informações como temperatura, datas de entrada de água nos talhos ou quantidades produzidas.
Ao ter formação na área tecnológica, partiu para a criação de uma plataforma, denominada SalOS, que permite aos produtores registar os dados relativos ao processo de extração do sal tradicional de Castro Marim em tempo real e criar depois um código QR para a embalagem, através do qual os consumidores têm acesso aos dados sobre o produto, contou Nuno Correia à agência Lusa.
“Como nós queríamos ter um produto que possa ter visibilidade, uma das minhas ideias era ter essa transparência na qualidade do sal de DOP – quais são os critérios, quais são as qualidades efetivas do produto, a transparência, os resultados laboratoriais, a rastreabilidade do produto. E, então, surgiu essa ideia de poder passar ao consumidor e aos clientes essa visibilidade (…) e de o sal poder ser rastreável com um código QR em cada embalagem”, afirmou.
A mesma fonte reconheceu que demorou “muito tempo a fazer a investigação” para conhecer o processo de produção, saber operacionalizar a ideia e transmitir aos consumidores como é que é feita a colheita nos talhos, quais são as frequências, quando é feita a análise da salinidade, quando o sal é colocado a secar ou quando é embalado, exemplificou.
“São todos estes processos, que são ‘checkpoints’ [para a DOP], que o operador do sal, com o marnoto, tem que registar para eu poder ter essa informação digitalizada e, depois, dar essa informação toda numa página QR”, acrescentou, esclarecendo que o registo é “feito em tempo real” e facilita o processo para o produtor fazer a certificação do produto.
Durante a pesquisa, Nuno Correia percebeu também que a União Europeia está a preparar a introdução de um Passaporte Digital de Produto (PDP) e, embora “ainda não seja obrigatório para o sal” ou produtos alimentares, “a tendência” vai nesse sentido e, “quando chegar a altura, já os produtores têm o sal validado”, antecipou.
“E integrei nesse ‘QR code’ a possibilidade de introduzir o Passaporte Digital de Produto, que é um código que depois cada produtor tem que registar na União Europeia e fica automaticamente já certificado”, disse,
A ferramenta criada é uma PWA (Progressive Web Application), que começou a ser utilizada na safra deste ano nas salinas familiares, mas qualquer produtor de sal pode testar gratuitamente a plataforma por 30 dias ou assinar pacotes (básico, por 34 euros, ou profissional, por 59) e depois “ir ao site no telemóvel e ter acesso à aplicação” para introduzir os dados em tempo real, indicou.
Ao ter toda a informação recolhida e centralizada, Nuno Correia pensou ainda que seria também útil fazer uma loja ‘online’ para venda direta dos produtores aos consumidores.
Em temporadas mais produtivas, há sal que não é absorvido pelas cooperativas de sal de Castro Marim e, com esta ferramenta, os produtores têm mais um canal para venderem um produto de qualidade que ficaria armazenado por falta de escoamento, argumentou.
Leia também: Plataforma criada em Castro Marim está disponível para produtores de sal artesanal













