Quem está a preparar férias em julho pode encontrar um cenário menos previsível do que o habitual para esta altura do ano. Apesar de o mês continuar a apontar para temperaturas acima da média em várias regiões, as últimas atualizações do modelo europeu indicam que poderão ocorrer mais aguaceiros e trovoadas do que é normal em Portugal continental.
De acordo com a Meteored, o sinal mais relevante surge sobretudo para a primeira quinzena do mês, em especial entre os dias 6 e 13 de julho. Não se trata, para já, de uma previsão de chuva generalizada ou persistente, mas antes de um cenário favorável à formação de aguaceiros localizados, por vezes acompanhados de trovoada, sobretudo nas regiões do interior.
Julho pode começar quente
A primeira semana de julho deverá ainda ser marcada pela influência da crista subtropical sobre Portugal. Este padrão pode favorecer tempo quente, com temperaturas acima dos valores habituais para a época, especialmente no interior do país. Segundo a Meteored, os mapas apontam para anomalias positivas de temperatura que poderão situar-se entre 3 e 6 ºC acima dos valores de referência em várias zonas de Portugal continental. Isto significa que, apesar do risco de instabilidade mais à frente, o calor deverá continuar a ser uma das marcas do mês. Ainda assim, o tempo seco não deverá ser garantido durante todo o período. A presença de ar muito quente junto ao solo pode, em determinadas condições, ajudar à formação de trovoadas, sobretudo se houver ar mais frio ou perturbações em altitude.
Dias 6 a 13 de julho merecem atenção
A semana entre 6 e 13 de julho surge como uma das fases mais instáveis nas projeções atuais do modelo europeu. A Meteored explica que, nessa altura, as altas pressões poderão deslocar-se mais para norte, em direção ao centro e norte da Europa. Essa mudança poderá abrir caminho à chegada de perturbações em níveis médios e altos da atmosfera até Portugal. Na prática, isto pode criar condições para a formação de aguaceiros e trovoadas, sobretudo em zonas do interior Norte e Centro, mas também em alguns pontos do Alentejo e do Algarve. Importa sublinhar que este tipo de precipitação costuma ser irregular. Pode chover com intensidade numa localidade e, a poucos quilómetros de distância, o tempo manter-se seco. Por isso, a previsão deve ser acompanhada com atenção, sobretudo por quem tem planos ao ar livre.
Chuva não deverá ser generalizada
Apesar do sinal de maior instabilidade, a previsão não aponta para dias inteiros de chuva em todo o país. O cenário mais provável é o de aguaceiros localizados, associados a trovoadas, que podem surgir de forma mais intensa em alguns pontos durante a tarde ou ao final do dia. Este tipo de situação é comum em episódios de instabilidade de verão. O calor acumulado durante o dia faz o ar subir, e, se encontrar condições favoráveis em altitude, podem formar-se nuvens de grande desenvolvimento vertical. Essas nuvens podem originar aguaceiros fortes, descargas elétricas e, por vezes, queda de granizo. Para quem vai de férias, isto significa que julho deverá continuar a ter muitos períodos de sol e calor, mas com maior probabilidade de alguns dias instáveis, sobretudo no interior.
Interior Norte e Centro mais favoráveis a trovoadas
As regiões do interior Norte e Centro são, historicamente, das mais favoráveis à ocorrência de trovoadas durante o verão. Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda e Castelo Branco destacam-se pelo afastamento do oceano, pelo forte aquecimento diurno e pela presença de relevo montanhoso. Segundo dados do Boletim de Descargas Elétricas Atmosféricas do IPMA, relativos ao período entre 2010 e 2024 e citados pela Meteored, julho regista em média 9,5 dias com trovoada em Portugal continental. Ou seja, embora seja um mês seco, não é estranho que ocorram episódios de atividade elétrica nesta altura do ano. O que chama a atenção nas previsões atuais é a possibilidade de esses episódios serem mais frequentes do que o habitual, caso se confirme a chegada de perturbações em altitude durante o mês.
Alentejo e Algarve também podem ser afetados
Embora o interior Norte e Centro surjam como as zonas mais favoráveis, o modelo europeu também mostra sinais de anomalias positivas de precipitação em algumas áreas do Alentejo e do Algarve na semana de 6 a 13 de julho. Isto não significa que estas regiões venham a ter vários dias de chuva, mas indica que poderá haver condições para aguaceiros dispersos e trovoadas localizadas. No Algarve, onde julho costuma ser muito seco, qualquer episódio de precipitação acima do normal pode aparecer de forma destacada nos mapas. Para quem tem férias marcadas no Sul, o mais provável continua a ser tempo quente e maioritariamente seco, mas a possibilidade de episódios pontuais de instabilidade não deve ser ignorada.
Segunda metade do mês ainda é incerta
A previsão para a segunda quinzena de julho é mais incerta. Quanto mais distante está o período analisado, menor é a fiabilidade dos modelos meteorológicos, pelo que qualquer tendência deve ser lida com cautela. Ainda assim, as primeiras projeções indicam que poderão voltar a surgir sinais de precipitação acima do normal em várias zonas do país, com maior probabilidade nas regiões Norte e Centro. A Meteored sublinha, contudo, que este cenário deve ser encarado apenas como uma tendência inicial. Pequenas alterações na posição das altas pressões, na entrada de ar quente ou na trajetória das perturbações em altitude podem mudar bastante a previsão.
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