Depois de um verão marcado por temperaturas elevadas e precipitação escassa, a reta final de agosto poderá ficar associada a um cenário pouco comum em Portugal: a passagem sucessiva de várias depressões e sistemas frontais capazes de alterar de forma significativa o estado do tempo. As previsões apontam para vários episódios de chuva, vento e trovoada num curto espaço de tempo, numa mudança que contrasta com o padrão dominante das últimas semanas.
De acordo com a Luso Meteo, portal especializado em meteorologia e previsão do tempo, os modelos atmosféricos sugerem a aproximação de duas ou três depressões durante os próximos dias, algumas acompanhadas por frentes bastante ativas. A persistência desta circulação poderá resultar em acumulados de precipitação pouco habituais para agosto, sobretudo em regiões mais expostas às entradas de humidade vindas do Atlântico.
A mudança começa a ganhar forma já durante este fim de semana, com a formação de uma depressão cavada no Atlântico. Numa fase inicial, o sistema deverá permanecer sobre águas relativamente frescas, mas a sua deslocação para latitudes mais baixas poderá permitir uma evolução para características subtropicais ou híbridas. Trata-se de um cenário pouco frequente, embora não inédito nas proximidades da Península Ibérica.
Apesar da atenção que esta possibilidade suscita, os cenários atualmente analisados não apontam para um fenómeno comparável aos grandes temporais que afetaram Portugal nos últimos anos. Ainda assim, existe potencial para períodos de chuva forte, trovoadas e rajadas intensas em zonas localizadas, especialmente se se desenvolverem linhas de instabilidade mais organizadas.
Norte e Centro sob maior vigilância
Os impactos mais significativos deverão concentrar-se, para já, nas regiões Norte e Centro. A trajetória projetada para a primeira depressão poderá favorecer a ocorrência de precipitação mais intensa nestas áreas, embora a distribuição exata da chuva continue dependente de pequenas alterações na posição do sistema.
A segunda-feira surge, nesta fase, como o dia mais sensível do episódio meteorológico. Além da possibilidade de aguaceiros fortes e trovoada, algumas rajadas poderão atingir valores elevados durante a passagem das células mais ativas. O principal fator de preocupação não será tanto o vento generalizado, mas sim a eventual ocorrência de fenómenos localizados e difíceis de antecipar com grande detalhe.
O tempo instável pode prolongar-se
A passagem desta primeira perturbação poderá não representar o fim da instabilidade. Os modelos de previsão continuam a indicar a aproximação de pelo menos mais uma depressão durante a próxima semana, mantendo o anticiclone enfraquecido e afastado da sua posição habitual nesta época do ano.
Essa nova configuração atmosférica favoreceria a chegada de ar mais fresco e de novas frentes atlânticas, com chuva, vento e possibilidade de trovoada. As temperaturas poderão descer para valores inferiores aos registados recentemente, reforçando o contraste com o ambiente de calor intenso que dominou boa parte do mês.
Mais para o final de agosto, entre os dias 27 e 28, não está excluída a influência de outro sistema depressionário. Embora a sua localização exata permaneça incerta, a circulação prevista poderá continuar a canalizar humidade para o Norte do país, aumentando os acumulados de precipitação em várias zonas.
Um agosto que pode entrar para os registos
Se este padrão se confirmar, algumas áreas do Minho e das regiões montanhosas do Norte e Centro poderão ultrapassar os 100 litros de chuva por metro quadrado acumulados até ao final do mês. Para uma altura do ano habitualmente marcada pelo predomínio do tempo seco, trata-se de um valor excecional.
Segundo a mesma fonte, não está descartada a possibilidade de agosto terminar entre os mais chuvosos de que há registo em algumas localidades, revertendo em poucos dias um cenário que, até agora, era de seca muito acentuada. Além de ajudar a aliviar o défice de precipitação, esta mudança poderá também reduzir significativamente o risco de incêndio, numa altura em que grande parte da vegetação continua sob forte stress provocado pelo calor e pela falta de chuva.
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