Uma depressão atmosférica complexa, possivelmente com vários núcleos, deverá condicionar o estado do tempo em Portugal nos próximos dias, com os primeiros efeitos mais significativos a sentirem-se nos Açores. O cenário prevê frio, vento forte e agitação marítima no arquipélago, antes de a instabilidade avançar para a Madeira e, mais tarde, para o continente, onde persistem ainda muitas dúvidas na previsão.
De acordo com o portal especializado em meteorologia, Luso Meteo, nos Açores, o período entre os dias 18 e 19 deverá ser o mais exigente, com previsão de vento forte, mar alterado e temperaturas pouco habituais para esta altura do ano. O frio poderá ser um dos aspetos mais marcantes deste episódio, num quadro meteorológico que já motivou alertas e que deverá obrigar a precauções acrescidas.
A evolução posterior da depressão aponta para um deslocamento para leste, o que poderá levar também a um agravamento do tempo na Madeira. A incerteza mantém-se, no entanto, elevada, tanto na intensidade final do sistema como na localização exata dos vários núcleos.
Açores poderão enfrentar vento forte, mar agitado e frio invulgar
No arquipélago dos Açores, a situação deverá começar a intensificar-se a partir da tarde de segunda-feira, prolongando-se ao longo de vários dias. As rajadas poderão atingir valores elevados, sobretudo nas ilhas centrais e orientais, onde o pico de intensidade poderá ocorrer entre a madrugada de quarta e quinta-feira.
Além do vento, a ondulação poderá também atingir valores expressivos, com alturas máximas entre os 10 e os 14 metros, o que representa um risco acrescido nas zonas costeiras mais expostas. A combinação entre vento e estado do mar poderá tornar este um dos períodos mais delicados da semana no arquipélago.
Outro elemento pouco comum nesta situação é o frio. Ao contrário do que acontece em muitas depressões atlânticas, em que o vento forte surge acompanhado por temperaturas amenas, desta vez o ar frio poderá fazer descer os termómetros para valores baixos, com sensação térmica negativa em alguns pontos mais expostos.
Madeira também poderá registar agravamento na segunda metade da semana
Depois dos Açores, os efeitos da depressão deverão começar a fazer-se sentir na Madeira a partir de quinta-feira. A previsão aponta para aguaceiros por vezes fortes, vento intenso e agitação marítima significativa, embora a dimensão exata do impacto ainda dependa da trajetória final do sistema.
Alguns cenários admitem rajadas localmente superiores a 100 km/h, sobretudo entre quinta e sexta-feira, com a madrugada de sexta a surgir como um dos períodos potencialmente mais críticos. Também aqui a ondulação poderá ultrapassar os 10 metros, aumentando o risco nas zonas costeiras.
Apesar de o frio não dever ser tão marcado como nos Açores, a Madeira poderá enfrentar um episódio de tempo bastante instável, com possibilidade de trovoada e chuva intensa em curtos períodos, sobretudo se a depressão cavar mais do que o inicialmente previsto.
Continente sob incerteza, mas com risco de chuva forte no Centro e Sul
É em Portugal Continental que subsistem as maiores dúvidas. O posicionamento dos vários núcleos depressionários continua a gerar cenários bastante diferentes entre modelos, e pequenas alterações na trajetória da depressão poderão traduzir-se em impactos muito distintos de região para região.
Os modelos mais recentes admitem um reforço da precipitação no Centro e Sul do país, sobretudo no litoral, na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve. Esta evolução está relacionada com um fluxo mais marítimo e húmido, o que favorece a formação de instabilidade mais significativa e aumenta a probabilidade de chuva intensa.
Ainda assim, há modelos que continuam a apontar para um cenário menos expressivo, com precipitação mais limitada. Essa divergência explica a incerteza atual e obriga a acompanhar de perto as próximas atualizações, especialmente no que diz respeito ao risco de cheias rápidas, trovoadas e rajadas convectivas.
Possibilidade de granizo, trovoada e cheias em algumas regiões
No continente, os efeitos deverão ser diferentes dos sentidos nas ilhas, mas podem ainda assim ser relevantes. Entre quarta-feira e o final da semana, poderá haver períodos de aguaceiros fortes, trovoada e vento por vezes intenso durante as células mais ativas.
Não está descartada a ocorrência de granizo, sobretudo nas regiões mais afetadas pela instabilidade. Se os cenários de maior precipitação se confirmarem, poderão também surgir problemas localizados de acumulação de água e cheias rápidas, em especial nas bacias do Tejo e do Sado.
A norte do país, a precipitação deverá ser menos significativa, devido à posição mais meridional da depressão e à influência de uma área anticiclónica mais a norte. O maior impacto deverá, por isso, concentrar-se do centro para sul.
Nomeação da depressão continua em aberto
A possibilidade de esta depressão vir a receber um nome continua em cima da mesa. Inicialmente, era admitido o nome Samuel, mas essa designação acabou por ser usada noutro contexto meteorológico. Caso venha a ser oficialmente nomeada, o nome seguinte previsto será Therese, de acordo com a Luso Meteo.
A abrangência dos efeitos esperados, sobretudo nas ilhas, aumenta a probabilidade de nomeação. Ainda assim, essa decisão dependerá da avaliação final das autoridades meteorológicas e da confirmação da intensidade do fenómeno.
Num mês em que a primavera climatológica já começou a dar alguns sinais, esta situação mostra que o tempo continua bastante dinâmico e instável. Entre frio, vento, chuva e trovoada, os próximos dias poderão trazer um novo episódio de mau tempo com impacto em várias regiões do país.
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