O calor intenso que marcou os últimos dias em Portugal está prestes a sofrer uma interrupção abrupta. A partir da tarde desta quarta-feira, a aproximação de uma bolsa de ar frio ao território continental deverá alterar de forma significativa o estado do tempo, abrindo caminho a precipitação, trovoadas e a uma descida expressiva das temperaturas. O contraste entre o ambiente típico de verão vivido nos últimos dias e o cenário esperado para o final da semana promete ser particularmente evidente.
De acordo com o Luso Meteo, portal especializado em meteorologia e previsão do tempo, uma bolsa de ar frio que permanecia bloqueada a noroeste da Península Ibérica por um sistema de altas pressões começou a deslocar-se para leste. Este fenómeno, frequentemente designado por gota fria, está associado à entrada de ar mais fresco em altitude e à criação de condições favoráveis ao desenvolvimento de instabilidade atmosférica.
Embora ainda existam dúvidas sobre a localização e o momento exato das ocorrências mais intensas, os modelos meteorológicos apontam para uma probabilidade crescente de aguaceiros e trovoadas ao longo da tarde e da noite desta quarta-feira, sobretudo nas regiões do Norte. A interação entre o ar quente acumulado nos últimos dias e a massa de ar mais fresco poderá favorecer a formação de células convectivas capazes de produzir precipitação intensa em períodos curtos.
O que muda já nas próximas horas?
A manhã de quarta-feira deverá ainda decorrer sob temperaturas elevadas, principalmente nas regiões do interior. No entanto, a partir da tarde, o aumento gradual da nebulosidade marcará o início de uma mudança mais significativa no estado do tempo.
Os aguaceiros poderão tornar-se localmente fortes ao final do dia, acompanhados por trovoada e, em algumas zonas de maior altitude, pela possibilidade de queda de granizo. As áreas montanhosas apresentam um potencial acrescido para fenómenos localizados devido à influência do relevo na circulação do ar.
Ao mesmo tempo, os termómetros iniciarão uma descida progressiva. Em alguns locais, a diferença entre os valores registados durante a manhã e aqueles observados nas últimas horas do dia poderá ser bastante expressiva. A entrada de uma massa de ar significativamente mais fresca deverá fazer sentir os seus efeitos em todo o território durante a noite e na quinta-feira.
Os avisos meteorológicos emitidos para vários distritos do Norte refletem esse agravamento das condições atmosféricas, sobretudo devido ao risco de chuva forte e trovoada.
Um ambiente pouco habitual para o final de junho
A mudança de padrão não deverá limitar-se a algumas horas de instabilidade. Quinta e sexta-feira deverão ser marcadas por temperaturas abaixo da média habitual para esta época do ano.
A circulação de vento do quadrante oeste favorecerá a entrada de ar marítimo mais húmido, contribuindo para uma sensação térmica mais baixa. No litoral, prevê-se maior persistência de nebulosidade, bem como a ocorrência de neblinas e nevoeiros matinais, que poderão demorar a dissipar-se.
Em muitas regiões, o ambiente deverá recordar mais o início do outono do que os últimos dias de junho, contrastando com o calor intenso que tem afetado várias zonas da Europa.
Quando regressa o calor?
Os sinais de recuperação das temperaturas começam a surgir durante o próximo fim de semana. Inicialmente, a subida deverá fazer-se sentir sobretudo no interior do país, enquanto o litoral continuará mais dependente da influência refrescante do vento norte.
As previsões apontam para um regresso gradual das máximas elevadas, com alguns locais do interior a voltarem a aproximar-se dos 35 graus. No entanto, os cenários mais relevantes surgem já para os últimos dias de junho e primeiros de julho.
Os modelos meteorológicos indicam a possível instalação de uma dorsal anticiclónica capaz de favorecer uma nova subida acentuada das temperaturas, com valores potencialmente muito elevados em algumas regiões da Península Ibérica. Apesar da tendência ser consistente, a magnitude exata do aquecimento e a duração de eventual onda de calor permanecem dependentes da evolução das próximas atualizações.
A situação contrasta com a evolução prevista para o resto da Europa, onde o calor extremo deverá deslocar-se gradualmente para leste. Segundo a mesma fonte, França e Reino Unido enfrentam atualmente alguns dos dias mais quentes deste episódio, antes de a massa de ar mais quente avançar em direção ao centro do continente, afetando países como Alemanha e Polónia com temperaturas excecionalmente elevadas.
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