A mobilidade elétrica continua a ganhar espaço em Portugal, numa altura em que o número de veículos elétricos nas estradas aumenta e cresce também a necessidade de redes de carregamento mais rápidas e abrangentes. As viagens longas, que durante anos foram apontadas como uma das principais limitações deste tipo de viaturas, começam agora a ter novas soluções ao longo das principais ligações rodoviárias do país.
De acordo com o portal ECO, a Galp concluiu um novo corredor de carregamento ultrarrápido que liga o Porto ao Algarve através das autoestradas A1 e A2. O projeto representa um investimento de 6,1 milhões de euros e inclui 96 carregadores distribuídos por oito hubs instalados em áreas de serviço estratégicas.
Ligação elétrica entre Norte e Sul
A conclusão do corredor ficou marcada pela entrada em funcionamento do hub de Pombal, inaugurado esta terça-feira, 26 de maio. Segundo a mesma fonte, os novos pontos de carregamento estão localizados em Pombal e Aveiras, na A1, e em Alcácer do Sal e Aljustrel, na A2.
A empresa refere que a infraestrutura foi desenhada para reduzir os tempos de espera dos condutores. Escreve o mesmo portal que alguns veículos conseguem recuperar uma parte significativa da bateria útil em menos de 20 minutos, sobretudo os modelos preparados para potências de carregamento mais elevadas.
Hubs com mais serviços para os utilizadores
Os novos espaços incluem não apenas carregadores, mas também zonas de apoio e conveniência. Conforme a mesma fonte, os hubs contam com áreas cobertas, iluminação reforçada e sistemas de pagamento integrados para simplificar a utilização.
A Galp tem vindo a reforçar a aposta na mobilidade elétrica nos últimos anos. A publicação adianta que a empresa tem duplicado anualmente a sua infraestrutura desde 2020 e soma atualmente mais de 9300 tomadas públicas e privadas em Portugal e Espanha.
Investimento que continua a crescer
Durante a apresentação do projeto, o co-CEO da Galp afirmou que a empresa investiu mais de 60 milhões de euros em mobilidade elétrica ao longo dos últimos seis anos. Segundo o ECO, esse investimento permitiu atingir um total de 10.550 carregadores.
O responsável acrescentou ainda que a empresa continua a investir cerca de 15 milhões de euros por ano nesta área. Refere a mesma fonte que a expansão da rede faz parte da estratégia para acompanhar o crescimento do mercado automóvel elétrico.
Desafio continua fora dos grandes eixos
Apesar do reforço da rede nas principais autoestradas, persistem dificuldades noutras regiões do país. Durante o evento, o presidente executivo da Brisa alertou para a necessidade de melhorar a cobertura nas zonas do interior.
Segundo a mesma fonte, António Pires de Lima considerou que ainda existem dificuldades em assegurar carregamento fácil em algumas regiões menos densamente povoadas. O gestor defendeu também uma maior articulação entre o Estado e operadores privados para expandir a infraestrutura.
Licenciamentos continuam a ser um entrave
A questão dos licenciamentos voltou igualmente a ser levantada durante a inauguração. O co-CEO da Galp considerou que os atrasos burocráticos afetam diretamente os consumidores e o ritmo de expansão da rede elétrica nacional.
Importa destacar ainda que o responsável criticou o tempo necessário para concluir projetos deste tipo, referindo que alguns processos podem demorar cerca de 15 meses entre o início da construção e a entrada em funcionamento.
Mercado elétrico em transformação
A liberalização do setor da mobilidade elétrica foi outro dos temas discutidos no evento. O ministro das Infraestruturas considerou que a abertura do mercado poderá ajudar a acelerar o crescimento da rede de carregamento em Portugal.
Escreve ainda a mesma fonte que Miguel Pinto Luz defendeu que o aumento da infraestrutura deverá acompanhar o crescimento da utilização de carros elétricos no país. Já sobre a possibilidade de a Galp fechar a sua rede a outros operadores, a empresa não assumiu qualquer posição concreta.
Viagens longas começam a mudar
Com a conclusão deste corredor, os principais eixos rodoviários entre o Norte e o Sul do país passam a ter uma cobertura reforçada para veículos elétricos. A redução dos tempos de carregamento e o aumento do número de postos surgem como dois dos objetivos centrais desta aposta.
O projeto pretende responder ao aumento da procura por soluções de mobilidade elétrica, numa altura em que o setor automóvel atravessa uma fase de transformação acelerada em Portugal e na Europa.
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