O Algarve reforça a sua estratégia de segurança hídrica com novos projetos de reutilização de água e com o avanço da futura Estação Dessalinizadora de Água do Mar do Algarve, duas respostas estruturais aos desafios colocados pela seca, pela escassez de água e pelos efeitos das alterações climáticas.
A visita da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, à Águas do Algarve, realizada esta quarta-feira, assinalou a assinatura de novos protocolos de fornecimento de Água para Reutilização e o início simbólico da futura dessalinizadora, num programa dedicado às principais infraestruturas e investimentos em curso na região.
Reutilização de água ganha novos utilizadores
A jornada começou na ETAR de Vilamoura, onde foi apresentado o Sistema de Água para Reutilização, que permite transformar água residual tratada num recurso seguro para usos compatíveis, como a rega de espaços verdes, campos de golfe e outras utilizações não potáveis.

Esta solução contribui para preservar as reservas destinadas ao consumo humano e para reduzir a pressão sobre as origens convencionais de água.
Durante a tarde, a comitiva visitou também o Sistema de Água para Reutilização da ETAR de Albufeira Poente, onde foram apresentados os resultados já alcançados na valorização deste recurso e o seu contributo para uma gestão mais eficiente da água no Algarve.

A visita culminou com a assinatura de novos protocolos de fornecimento de Água para Reutilização entre a Águas do Algarve e várias entidades utilizadoras, nomeadamente Morgado da Lameira – Empreendimento Turístico e Golfe, S.A.; Sociedade Mundo Aquático – Parques Oceanográficos de Entretenimento Educativo, S.A.; SGEHR – Sociedade Gestora e Exploradora de Hotéis e Resorts, S.A.; Município de Castro Marim; e Sociedade Almada de Ouro – Investimentos Turísticos, Lda.
Com estes acordos, a empresa reforça a disponibilização de água para usos compatíveis, promovendo uma utilização mais eficiente dos recursos hídricos, numa lógica de economia circular e de adaptação às alterações climáticas.

De acordo com os dados divulgados pela Águas do Algarve, existem atualmente cinco subsistemas de produção de Água para Reutilização – Vila Real de Santo António, Quinta do Lago, Vilamoura, Albufeira Poente e Boavista – com uma capacidade de fornecimento de cerca de 6,2 hectómetros cúbicos por ano.
A rede abrange 15 utilizadores, incluindo campos de golfe, espaços verdes, jardins privados, jardins públicos, um parque temático e uma utilização ambiental ligada à alimentação de ecossistemas na Lagoa dos Salgados.

Estão ainda em execução novos projetos associados à ETAR de Almargem e à ETAR de Faro Noroeste, que deverão permitir reutilizar mais dois hectómetros cúbicos de Água para Reutilização por ano, elevando o volume anual para cerca de nove hectómetros cúbicos na região.
Segundo a empresa, estas medidas são relevantes para a sustentabilidade dos recursos hídricos e constituem exemplos de aplicação da economia circular no setor da água, em linha com a Estratégia Nacional “Água que Une”.
Dessalinizadora avança como infraestrutura de resiliência
O programa incluiu ainda uma visita ao local onde será construída a futura Estação Dessalinizadora de Água do Mar do Algarve, ocasião em que foi assinalado o início simbólico da empreitada através da colocação da “Carta do Futuro” e do “Primeiro Tijolo”.
A infraestrutura é apresentada como um investimento estratégico para reforçar a capacidade de abastecimento da região e aumentar a resiliência perante períodos de seca cada vez mais frequentes. A futura dessalinizadora deverá acrescentar ao sistema multimunicipal uma origem alternativa de água, operacionalmente controlável e independente da precipitação.

A Águas do Algarve sublinha, contudo, que a dessalinização não substitui a necessidade de poupar água, reduzir perdas, reutilizar águas residuais tratadas e melhorar a eficiência dos consumos. Pelo contrário, surge como complemento a um conjunto de soluções que devem ser combinadas para garantir a robustez global do sistema.
O consórcio ACE Água para o Algarve é a entidade responsável pela conceção e construção da futura Central de Dessalinização de Água do Mar do Algarve, sendo composto pelas empresas GS Inima, Aquapor e Luságua.

Em comunicado, a Águas do Algarve defende que “a gestão sustentável da água exige soluções inovadoras, investimento e cooperação entre entidades públicas e privadas. Os projetos hoje apresentados demonstram que o Algarve está a preparar-se para responder aos desafios do futuro, reforçando a segurança hídrica da região e promovendo uma utilização cada vez mais eficiente deste recurso essencial”.
A visita da ministra do Ambiente e Energia foi considerada pela empresa como um reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Águas do Algarve e pelos seus parceiros na implementação de soluções estruturantes para garantir a disponibilidade de água às populações, à atividade económica e ao desenvolvimento sustentável da região.

Os investimentos em água para reutilização estão contemplados no contrato de financiamento celebrado entre a Estrutura de Missão Recuperar Portugal e a Águas do Algarve, no âmbito do Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve, que inclui medidas destinadas a promover a utilização de água residual tratada, aumentar a resiliência das albufeiras e dos sistemas de adução em alta e reforçar novas origens de água.
A água para reutilização e a futura estação dessalinizadora assumem-se, assim, como dois pilares da estratégia regional de adaptação às alterações climáticas, num território onde a gestão da água se tornou uma prioridade ambiental, económica e social.
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