A campanha de entrega do IRS já arrancou e, com ela, regressa uma dúvida comum entre contribuintes: quanto tempo demora, afinal, a receber o reembolso, sendo que a resposta não é linear e depende de vários fatores que podem acelerar ou atrasar o processo.
O Governo antecipa prazos semelhantes aos do ano passado, embora existam diferenças claras entre quem opta pelo IRS automático e quem submete a declaração pela via tradicional, pelo que o tempo de espera pode variar consoante a complexidade de cada situação fiscal.
Segundo a mesma fonte, o processamento das declarações depende da validação dos dados submetidos e, por isso, nem todos os contribuintes recebem ao mesmo tempo, ainda que tenham entregue a declaração no mesmo dia.
Há um fator que pode acelerar o reembolso
Os contribuintes que recorrem ao IRS automático deverão receber o reembolso em menos de duas semanas após a submissão da declaração, uma vez que se trata, em regra, de situações mais simples e com menor necessidade de verificação manual.
Já quem entrega pela via normal poderá ter de esperar mais tempo, sendo que, nestes casos, o prazo médio deverá situar-se entre três semanas e três semanas e meia, dependendo não só da complexidade dos rendimentos, mas também das deduções apresentadas.
Em declarações à Lusa, a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, afirmou que a “expectativa é a de que os prazos médios de reembolso sejam próximos ou similares aos do ano passado”, acrescentando que, no caso do IRS automático, que é tendencialmente mais simples, prevê-se “um período inferior a duas semanas”.
IRS automático abrange mais contribuintes este ano
Este ano, o IRS automático deverá abranger cerca de dois milhões de declarações, o que representa um aumento face aos cerca de 1,7 milhões registados no ano passado, sobretudo devido à inclusão dos trabalhadores até aos 35 anos abrangidos pelo IRS Jovem nesta funcionalidade.
Assim, quanto maior for o número de declarações simples, menor tende a ser a necessidade de intervenção manual por parte da Autoridade Tributária e, consequentemente, mais rápido poderá ser o processamento global.
Alterações ao longo do ano podem influenciar o valor
Durante 2025, estiveram em vigor três tabelas de retenção na fonte distintas, refletindo alterações fiscais ao longo do ano, já que houve uma primeira tabela entre janeiro e julho, uma segunda aplicada nos meses de agosto e setembro e, por fim, uma terceira nos últimos meses do ano.
Estas mudanças tiveram como objetivo aproximar o imposto retido ao imposto efetivamente devido, embora isso não signifique necessariamente que os contribuintes vão receber menos reembolso, até porque existem várias variáveis em jogo.
Segundo explicou a governante, “no mundo ideal, as pessoas não tinham imposto a pagar nem a receber”, embora reconheça que tal cenário é difícil de concretizar, precisamente porque os rendimentos e as situações individuais variam bastante.
A maioria continua a receber dinheiro de volta
Dados da Autoridade Tributária indicam que cerca de dois terços das declarações com acerto de contas continuam a resultar em reembolso e, nesse sentido, a tendência deverá manter-se este ano, sem alterações significativas face ao anterior.
Ainda assim, o valor final depende de fatores como rendimentos adicionais, mais-valias ou rendimentos de capitais, os quais podem influenciar o cálculo global do imposto e, por consequência, o montante a receber.
Quando entregar pode fazer a diferença
O prazo para a entrega do IRS decorre até 30 de junho, mas o momento escolhido pode ter impacto na rapidez do processo, uma vez que o Portal das Finanças costuma registar maior afluência no primeiro e no último dia da campanha.
Por isso, a recomendação passa por evitar esses períodos e, em vez disso, optar por dias intermédios, já que tal pode reduzir o risco de falhas técnicas e contribuir para um processamento mais eficiente.
Quem pretende receber o reembolso mais rapidamente deverá submeter a declaração nos primeiros dias, embora não necessariamente no arranque da campanha, precisamente para evitar sobrecargas no sistema.
Apesar do alargamento de prazos para entidades afetadas por intempéries, o Governo não antecipa impactos relevantes no calendário global da campanha, ainda que admita que, em casos pontuais, possam existir validações adicionais que atrasem ligeiramente o processo.
No final, o tempo de espera depende de vários fatores, mas há um detalhe que pode fazer toda a diferença: a forma como entrega o IRS.
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