Reconhecer uma tentativa de fraude tornou-se mais difícil à medida que as mensagens usadas pelos burlões se aproximam das comunicações verdadeiras de bancos, empresas ou organismos públicos. Um pedido urgente de pagamento, uma ligação aparentemente legítima ou uma mensagem que utiliza corretamente o nome de uma marca podem ser suficientes para levar alguém a clicar antes de confirmar a origem.
A AMD — Associação Portuguesa de Marketing Directo e Digital criou agora o Detector de Burla, uma ferramenta gratuita que utiliza inteligência artificial para analisar comunicações suspeitas e procurar indícios associados a fraude digital, phishing, smishing e outras formas de engenharia social.
Como funciona o Detector de Burla?
O processo é simples. O utilizador pode copiar para a plataforma o conteúdo de uma mensagem suspeita, acrescentar um URL e indicar através de que canal recebeu a comunicação. A ferramenta analisa depois os elementos submetidos através de inteligência artificial e apresenta uma avaliação do nível aparente de risco, acompanhada dos principais motivos que justificam essa classificação.
Entre os sinais procurados encontram-se pedidos de transferências ou pagamentos, solicitações de dados pessoais, pressão para agir rapidamente, ligações suspeitas e outros padrões utilizados habitualmente em esquemas de engenharia social. A plataforma pode ser utilizada para analisar comunicações recebidas por e-mail, SMS ou WhatsApp, entre outros canais, e destina-se tanto a consumidores como a empresas e profissionais.
Ferramenta explica porque considera uma mensagem suspeita
O Detector de Burla não se limita a apresentar uma indicação de risco. A análise procura também explicar ao utilizador quais foram os elementos que justificaram o resultado. Num exemplo apresentado pela própria plataforma, uma mensagem de WhatsApp em que alguém afirma ser um familiar com um novo número e pede uma transferência urgente é classificada com risco muito elevado. Entre os sinais identificados estão o número desconhecido, a pressão emocional e o pedido de transferência para um IBAN não verificado.
O objetivo é ajudar o utilizador a identificar padrões que possam voltar a aparecer noutras tentativas de fraude, e não apenas dizer se aquela comunicação específica parece ou não suspeita.
Resultado não garante que seja (ou não seja) uma burla
Há, contudo, uma ressalva importante. A própria AMD esclarece que a análise é meramente informativa e pedagógica. Por ser produzida com recurso a inteligência artificial, pode conter erros, omissões, falsos positivos ou falsos negativos. Isto significa que uma mensagem classificada como pouco arriscada não deve ser automaticamente considerada segura, da mesma forma que uma classificação elevada não constitui, por si só, prova de que existe um crime.
A ferramenta não substitui aconselhamento jurídico, técnico, policial ou regulatório e a AMD recomenda que o resultado não seja utilizado como única base para tomar decisões financeiras ou legais.
E o que acontece aos dados enviados?
A utilização de uma plataforma deste tipo também levanta dúvidas sobre a informação que é submetida para análise. Na sua política de privacidade, a AMD afirma que não pretende recolher através do Detector de Burla dados pessoais que permitam identificar os utilizadores, não cria perfis comerciais com essa informação e não utiliza as submissões para publicidade comportamental.
A associação esclarece ainda que não permite que os conteúdos submetidos sejam utilizados pelos fornecedores de inteligência artificial para treino geral de modelos externos, salvo se essa utilização for expressamente comunicada e existir fundamento jurídico adequado. Mesmo assim, é prudente evitar colocar numa ferramenta deste género informação pessoal desnecessária, como palavras-passe, códigos de autenticação ou dados bancários completos.
Há vários sinais que podem denunciar uma fraude
Além do analisador, a plataforma reúne guias destinados a ajudar os utilizadores a reconhecer esquemas comuns. No caso de um SMS, por exemplo, devem levantar suspeitas pedidos inesperados de pagamento ou dados pessoais, bem como ligações encurtadas ou endereços que não correspondam ao domínio oficial da entidade que aparentemente enviou a mensagem.
Nos e-mails, um dos elementos a verificar é precisamente o domínio do remetente. Uma comunicação que tenta imitar um banco ou organismo público mas chega de um endereço sem relação com a entidade deve ser tratada com particular cautela. Também nas chamadas telefónicas existe uma regra importante: códigos de segurança recebidos por SMS não devem ser fornecidos a alguém que liga alegando representar um banco ou outra organização.
Plataforma reúne também alertas de burlas recentes
O Detector de Burla disponibiliza ainda uma área dedicada a alertas recentes, onde são reunidos exemplos de campanhas fraudulentas e avisos relacionados com phishing, smishing e utilização abusiva de marcas. Entre os casos reunidos encontram-se falsas dívidas ao SNS, mensagens que imitam o Cartão Continente, falsos reembolsos da TAP, propostas de emprego fraudulentas e esquemas envolvendo alegados agentes bancários. Segundo a AMD, estes alertas são revistos manualmente antes de serem publicados.
A ferramenta pode, assim, funcionar como uma verificação adicional quando surge uma mensagem duvidosa. A recomendação principal mantém-se, contudo, inalterada: perante um pedido inesperado de dinheiro, dados ou códigos de segurança, deve confirmar a informação diretamente através dos canais oficiais da entidade antes de realizar qualquer operação.















