Entre a Madeira e as Canárias, há umas ilhas no Atlântico que, apesar da dimensão reduzida, foi palco de rivalidade diplomática durante séculos. As Ilhas Selvagens, integradas administrativamente na Região Autónoma da Madeira, estão sob soberania portuguesa, mas nem sempre este estatuto foi pacÃfico. Espanha, a pouco mais de 165 quilómetros de distância, reclamou durante décadas direitos sobre estas ilhas remotas.
De acordo com a Direção Regional do Ambiente e Alterações Climáticas da Madeira, a descoberta das Selvagens é atribuÃda a Diogo Gomes, navegador português que, no século XV, regressava de uma viagem à costa africana. Espanha, por outro lado, sustenta que o francês Jean de Béthencourt avistou o arquipélago no contexto da conquista das Canárias, argumento apoiado por antigos mapas espanhóis.
Uma história de rivalidade e decisões internacionais
O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, parecia ter colocado fim à disputa. Porém, no século XX, a questão regressou à agenda. Em 1932, Portugal iniciou a regulamentação do território e, em 1938, uma decisão internacional reconheceu formalmente a soberania portuguesa. A Guerra Civil Espanhola, então em curso, impediu qualquer reação imediata de Madrid, segundo registos históricos citados pelo Governo Regional da Madeira.
Atualmente, não existe qualquer contestação formal, mas as Selvagens continuam a ter relevância estratégica, sobretudo pelo valor ecológico e pela importância na definição de zonas económicas exclusivas no Atlântico.
Três ilhas e uma biodiversidade única
As Ilhas Selvagens ocupam apenas 2,73 quilómetros quadrados e não têm população residente permanente. Desde 1971, são classificadas como reserva natural integral, estatuto que protege um dos ecossistemas mais bem preservados da região.
O arquipélago divide-se em dois grupos principais:
- Selvagem Grande: a maior ilha, com escarpas abruptas e elevada concentração de aves marinhas nidificantes.
- Selvagem Pequena: menor e mais isolada, mas igualmente rica em biodiversidade.
- Ilhéu de Fora: praticamente inacessÃvel, abriga espécies marinhas raras.
Segundo dados do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), estas ilhas albergam mais de 20 mil aves durante a época de nidificação, incluindo espécies protegidas como a cagarra e o roque-de-castro.
Um destino restrito a poucos
O acesso às Selvagens é limitado e sujeito a autorização especial. As visitas partem normalmente da Madeira e destinam-se a investigadores ou atividades de ecoturismo controlado. A ausência de infraestruturas e a fiscalização constante têm sido decisivas para preservar o arquipélago.
Apesar da sua distância, o interesse por estas ilhas no Atlântico mantém-se vivo. Para Portugal, representam um sÃmbolo de soberania e conservação ambiental; para Espanha, continuam a ser um capÃtulo histórico de fronteiras no Atlântico.
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