A Polícia Judiciária (PJ) realizou esta terça-feira um conjunto de buscas no âmbito de uma investigação por burla qualificada relacionada com a venda de imóveis que nunca chegaram a ser construídos. Em causa está a atuação de um casal suspeito de ter comercializado terrenos e projetos habitacionais sem que as moradias prometidas viessem a sair do papel, afetando dezenas de compradores.
A investigação incide sobre negócios celebrados no distrito do Porto, envolvendo valores significativos entregues por particulares que acreditavam estar a adquirir habitação própria. As diligências culminaram na detenção de dois suspeitos e na continuação do apuramento de eventuais novos lesados.
Buscas e detenções no norte do país
De acordo com o Notícias ao Minuto, a PJ cumpriu três mandados de busca nas zonas de Matosinhos e de Vila do Conde, no decurso de uma operação direcionada para práticas de burla associadas ao setor imobiliário.
Segundo a mesma fonte, os suspeitos são um homem e uma mulher, com 50 e 39 anos, respetivamente, que terão utilizado estruturas empresariais entretanto encerradas para desenvolver a atividade sob investigação.
Agências encerradas e negócios simulados
Em comunicado citado pelo jornal, a PJ explica que os detidos eram sócio e empregada de agências imobiliárias através das quais eram publicitados terrenos para construção, acompanhados de projetos e compromissos de edificação de moradias.
Refere a mesma fonte que esses imóveis se situavam em vários pontos do distrito do Porto e que as construções anunciadas nunca chegaram a ser concretizadas, apesar dos contratos celebrados com os clientes.
Vítimas aguardaram obras que nunca começaram
Segundo a PJ, citada pela publicação, os contratos foram celebrados com dezenas de pessoas que acreditavam estar a adquirir as moradias constantes dos projetos apresentados no momento da venda.
As vítimas entregavam os montantes solicitados e aguardavam pelo início das obras, até se aperceberem de que tinham sido enganadas e que os compromissos assumidos não estavam a ser cumpridos.
De acordo com o Notícias ao Minuto, as autoridades já apuraram prejuízos superiores a 140.000 euros, valor que resulta dos elementos recolhidos até ao momento no âmbito da investigação criminal. A PJ admite que o montante global possa atingir cerca de um milhão de euros, tendo em conta outros negócios celebrados pelas mesmas agências e que continuam a ser analisados.
A investigação permanece em curso com o objetivo de identificar outros eventuais lesados e clarificar a dimensão total do esquema alegadamente montado pelos suspeitos. Os dois detidos serão presentes no Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial, onde serão avaliadas as medidas de coação a aplicar.
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