A evolução das pensões de velhice em Portugal está a ser marcada por mudanças no perfil das reformas e no valor médio pago aos aposentados, num contexto em que a idade de saída do mercado de trabalho continua a aumentar entre os funcionários públicos. Os dados mais recentes apontam também para alterações na estrutura das novas pensões atribuídas no sistema da Caixa Geral de Aposentações.
De acordo com o Conselho de Finanças Públicas, numa análise baseada na informação da Caixa Geral de Aposentações referente a 2025, a pensão média de velhice registou um aumento face ao ano anterior.
Pensão média sobe mais de 50 euros
Segundo escreve o jornal Correio da Manhã, o valor médio mensal das pensões de velhice aumentou 53 euros em 2025, passando de 1.707 euros em 2024 para 1.760 euros no ano seguinte. Este crescimento está associado às características das novas pensões atribuídas. O Conselho de Finanças Públicas explica à mesma fonte que este aumento resulta, em grande parte, do peso crescente das novas reformas da administração central, cujo valor médio é superior ao conjunto global das pensões.
As pensões atribuídas a novos aposentados oriundos da administração central apresentaram, em 2025, um valor médio de 2521 euros, o que representa um aumento de 2,5% em comparação com o ano anterior. Acrescenta a análise citada pelo Correio da Manhã que estes novos beneficiários representaram 44,3% do total das novas pensões atribuídas pela Caixa Geral de Aposentações no mesmo ano.
Reforma cada vez mais tardia
Os dados mostram também uma tendência de adiamento da saída da vida ativa. Em 2024, a idade média de acesso à reforma situou-se nos 65,6 anos, muito próxima da idade legal definida, que era de 66 anos e sete meses.
Este aumento está ligado tanto às penalizações aplicadas em caso de reforma antecipada como às dificuldades em aceder a esse regime, o que tem levado muitos trabalhadores a prolongar a sua atividade profissional.
Reformas aos 70 anos atingem novo máximo
O número de trabalhadores que se reformaram aos 70 anos atingiu, no último ano, o valor mais elevado dos últimos cinco anos, sinalizando um prolongamento progressivo das carreiras na administração pública. O Conselho de Finanças Públicas sublinha ainda que as aposentações voluntárias não antecipadas passaram a ser a modalidade dominante nas novas pensões, reforçando uma tendência que se tem consolidado nos últimos anos.
Em 2025 foram atribuídas 21.769 novas pensões de aposentação e reforma, menos 912 do que no ano anterior, o que representa uma quebra de 4%. Ainda assim, o sistema registou o número mais elevado de pensões de velhice dos últimos cinco anos. Segundo o mesmo relatório, este crescimento do número total de reformados resulta do aumento das pensões por velhice, parcialmente compensado pela redução das pensões por invalidez.
Mais beneficiários no sistema
O número médio de reformados passou de 490.084 em 2024 para 497.247 em 2025, o que corresponde a mais 7.163 beneficiários no sistema. Esta evolução resulta sobretudo do aumento de 9.267 pensões por velhice e outros motivos, ainda que parcialmente equilibrado pela redução de 2104 pensões de invalidez.
O conjunto destes dados aponta para uma transformação gradual no sistema de pensões da função pública, tanto ao nível do valor médio como da idade de acesso à reforma. As tendências identificadas mostram um reforço das reformas mais tardias e um peso crescente das pensões de maior valor na composição global do sistema da Caixa Geral de Aposentações.
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