O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas recebeu mais pedidos para remover ninhos de andorinha em 2025 e emitiu também um número superior de licenças, embora a destruição destas estruturas seja proibida e apenas possa ser autorizada em situações excecionais.
Nos dois anos analisados, foram submetidos 745 pedidos ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), dos quais 680 receberam autorização.
Em 2025, o organismo recebeu 397 pedidos e emitiu 371 licenças. No ano anterior, tinham sido apresentados 348 requerimentos, tendo sido aprovados 309 e recusados 39.
No último ano, houve pedidos sem autorização nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. O ICNF aprovou todos os requerimentos apresentados no Alentejo e no Norte.
Alentejo concentrou maior número de pedidos
O Alentejo foi a região com mais pedidos de remoção em 2025, num total de 200. Seguiram-se Lisboa e Vale do Tejo, com 68, e o Centro, com 62.
O Norte apresentou nove pedidos, todos autorizados. A informação divulgada não individualiza o número de requerimentos submetidos ou aprovados no Algarve.
As solicitações dizem respeito a ninhos construídos em edifícios e noutras infraestruturas de origem humana.
Espécies como a andorinha-das-chaminés e a andorinha-dos-beirais utilizam frequentemente beirais, varandas e fachadas abrigadas para nidificar.
Remoção só é permitida em casos excecionais
A destruição de ninhos de aves que vivem naturalmente em estado selvagem está proibida em Portugal desde 1999, tanto durante o período reprodutor como depois da partida dos animais.
O ICNF pode levantar essa proibição quando os pedidos estão devidamente fundamentados e correspondem às exceções previstas na lei.
Entre os motivos que podem justificar uma licença encontram-se questões de saúde pública, segurança ou a realização de obras de reabilitação em edifícios.
Durante a época de nidificação, a presença das andorinhas pode provocar a acumulação de dejetos nas zonas localizadas sob os ninhos, causando incómodo e aumentando as necessidades de limpeza.
As aves regressam habitualmente aos mesmos locais em anos sucessivos, devido à sua fidelidade aos espaços escolhidos para reprodução.
Plataformas podem reduzir a sujidade
Para diminuir os impactos sem destruir os ninhos, o ICNF recomenda a instalação de pequenas plataformas ou prateleiras por baixo das estruturas.
A solução permite recolher os dejetos e evitar que caiam diretamente sobre pavimentos, janelas ou entradas de edifícios.
As andorinhas têm também um papel ecológico, sanitário e agrícola relevante, uma vez que ajudam a controlar naturalmente populações de insetos, como moscas e mosquitos, alguns dos quais podem transmitir doenças ou causar prejuízos na agricultura.
A.Pinto / HDF
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