O eclipse solar desta quarta-feira, 12 de agosto, levou muitas pessoas a olhar para o céu, mas quem observou diretamente o Sol sem óculos adequados deve estar atento à visão nos próximos dias. A Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta que a exposição pode provocar retinopatia solar e que os danos nem sempre são sentidos no momento, podendo os primeiros sinais surgir apenas horas ou dias depois.
Este fenómeno foi acompanhado por milhares de pessoas em Portugal e no estrangeiro e, segundo avançou o Notícias ao Minuto, os oftalmologistas alertam agora para a possibilidade de algumas lesões oculares só se manifestarem nos dias seguintes à observação do eclipse. A publicação cita Jordi Gascón, especialista do Hospital Universitário de Bellvitge, que aponta como possíveis sinais a perda de visão, o aparecimento de manchas no campo visual e a distorção das linhas dos objetos, sublinhando que estes sintomas podem não surgir de imediato.
Danos do eclipse nos olhos podem só ser sentidos mais tarde
A principal preocupação para quem olhou diretamente para o Sol é a chamada retinopatia solar, uma lesão provocada pela exposição da retina à radiação solar intensa. De acordo com a DGS, esta lesão pode ocorrer sem qualquer sensação de dor, uma vez que a retina não possui recetores de dor, podendo existir dano ou destruição dos fotorreceptores, as células responsáveis por captar a luz.
Isto significa que uma pessoa pode ter olhado para o eclipse sem proteção e, imediatamente depois, não sentir qualquer problema. A DGS esclarece que os danos nos olhos podem não ser percetíveis até ao aparecimento dos primeiros sinais ou sintomas, algo que pode acontecer horas ou mesmo dias depois da exposição.
Estes são os sinais de alerta depois de observar o eclipse
Quem tenha observado o Sol diretamente durante o eclipse deve, por isso, estar especialmente atento a qualquer alteração na visão. A DGS identifica como principais sinais de alerta a visão distorcida ou turva, o aparecimento de manchas ou pontos negros no campo visual, alterações na perceção das cores, a diminuição ou perda súbita da visão e ainda a ocorrência de dor ocular intensa.
Caso surja algum destes sintomas durante ou depois do eclipse, a recomendação oficial é ligar imediatamente para o SNS 24, através do 808 24 24 24, para receber orientação clínica adequada.
Bastam alguns segundos sem proteção para provocar lesões
Durante um eclipse parcial, a diminuição da luminosidade pode tornar mais confortável olhar na direção do Sol, levando algumas pessoas a manterem os olhos fixos durante mais tempo. No entanto, a DGS alerta que apenas alguns segundos de exposição podem ser suficientes para provocar danos permanentes na retina.
Por esse motivo, olhar diretamente para o Sol sem proteção nunca foi considerado seguro durante as fases parciais do eclipse. A utilização de óculos de sol convencionais, mesmo muito escuros ou polarizados, também não oferece proteção suficiente. Para uma observação direta segura, a DGS recomendou exclusivamente óculos próprios para eclipses que cumprissem a norma internacional ISO 12312-2 e apresentassem marcação CE.
Em casos extremos pode haver perda irreversível da visão
A DGS refere ainda que, numa situação extrema, a exposição solar pode levar a cegueira e que esta pode ser irreversível. Tal como acontece com outras lesões provocadas pela exposição ao Sol, a perda de visão também pode não ser imediatamente evidente, razão pela qual é importante não ignorar alterações que surjam nas horas ou dias seguintes.
O Governo português tinha igualmente alertado antes do eclipse que olhar diretamente para o Sol, mesmo durante períodos curtos, poderia provocar danos permanentes nos olhos. Também não é seguro olhar para o Sol através da câmara de um telemóvel, máquina fotográfica, telescópio ou binóculos sem filtros solares específicos instalados no equipamento.
Assim, quem tenha olhado diretamente para o eclipse sem proteção e não tenha sentido qualquer desconforto imediato não deve assumir que isso significa necessariamente ausência de lesão. A orientação da DGS é clara: se aparecer visão turva ou distorcida, manchas negras, alterações na perceção das cores, perda de visão ou dor ocular intensa, deve ser procurada orientação através do SNS 24.
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