Foram muitos os que aguardaram com expectativa pelo eclipse solar desta quarta-feira, 12 de agosto, preparando óculos próprios, procurando um local com horizonte desimpedido ou simplesmente reservando alguns minutos para olhar para o céu. Mas entre condições meteorológicas, compromissos pessoais ou falta de equipamento adequado, nem todos conseguiram assistir ao fenómeno como gostariam.
Para quem ficou de fora, a boa notícia é que não será necessário esperar muitos anos por uma nova oportunidade. E desta vez haverá condições particularmente interessantes muito perto de Portugal, enquanto em território nacional o Sol também ficará quase totalmente escondido em algumas regiões.
Há outro eclipse total já no próximo ano
A próxima grande oportunidade chegará a 2 de agosto de 2027, menos de um ano depois do eclipse desta quarta-feira. Nesse dia, um novo eclipse total do Sol atravessará o extremo sul de Espanha, colocando vários locais relativamente próximos de Portugal dentro da faixa de totalidade.
De acordo com os cálculos do Observatório Astronómico Nacional espanhol, integrado no Instituto Geográfico Nacional (IGN), a faixa onde a Lua esconderá completamente o Sol incluirá Ceuta, Melilla, praticamente toda a província de Cádiz, uma parte importante de Málaga e zonas mais meridionais de Granada e Almería. No restante território espanhol, o fenómeno será parcial, com diferentes percentagens de ocultação consoante a localização.
Ceuta terá quase cinco minutos de escuridão total
Um dos locais privilegiados será Ceuta, onde a fase de totalidade deverá durar aproximadamente 4 minutos e 48 segundos. Durante esse curto período, a Lua cobrirá completamente o disco solar, produzindo a escuridão característica de um eclipse total. Para quem vive no Algarve, a localização torna-se particularmente interessante pela proximidade. A partir de Faro, a viagem de carro até ao porto de Algeciras ronda os 376 quilómetros e cerca de 3 horas e 45 minutos, sem contar com paragens ou trânsito. Depois é necessário atravessar o estreito de Gibraltar de ferry até Ceuta, uma ligação que demora normalmente cerca de uma hora.
Em deslocação efetiva, são portanto cerca de quatro horas e 45 minutos, mas na prática é necessário contar com bastante mais tempo devido ao check-in, embarque e eventuais esperas. A própria operadora DFDS recomenda chegar ao porto com antecedência, e os horários podem sofrer alterações, sobretudo na época alta. Ou seja, para um residente no Algarve disposto a fazer uma pequena viagem, será possível atravessar a Andaluzia e o estreito para chegar a um dos locais europeus onde a experiência será mais impressionante.
Cádiz e Málaga também ficarão às escuras
Não será necessário, contudo, chegar a Ceuta para entrar na faixa de totalidade. Cádiz e Málaga também estarão entre os principais locais espanhóis onde o Sol desaparecerá completamente. Em Cádiz, a totalidade deverá prolongar-se durante aproximadamente 2 minutos e 54 segundos, enquanto em Málaga deverá durar cerca de 1 minuto e 48 segundos.
Praticamente toda a província de Cádiz ficará dentro da faixa de totalidade, assim como uma parcela importante da província de Málaga. Algumas zonas mais a sul de Granada e Almería também serão atravessadas pela sombra da Lua. Para quem parte do Algarve, estas localidades peninsulares poderão representar uma alternativa particularmente prática, já que dispensam a travessia marítima até Ceuta.
Desta vez o Sol estará mais alto no céu
O eclipse de 2027 terá ainda uma vantagem importante relativamente ao fenómeno de agosto de 2026: acontecerá durante a manhã, quando o Sol estará consideravelmente mais elevado sobre o horizonte. Em Espanha, o máximo deverá ocorrer perto das 10h50 locais. Isto contrasta com o eclipse de 2026, observado ao final do dia, quando a posição baixa do Sol obrigou a procurar locais com o horizonte ocidental bastante desimpedido.
A maior elevação solar facilitará, por isso, a escolha do ponto de observação. Ainda assim, a presença de nuvens continuará naturalmente a poder condicionar a visibilidade. Os estudos climatológicos utilizados pelo IGN apontam historicamente para uma probabilidade relativamente reduzida de nebulosidade no sul da Península Ibérica no início de agosto, embora estes dados não constituam, evidentemente, uma previsão meteorológica para 2 de agosto de 2027.
Espanha será o único país europeu a ver a totalidade
Há outra característica que torna este eclipse particularmente especial para quem vive na Península Ibérica: Espanha será o único país europeu atravessado pela faixa de totalidade. Depois de passar pelo estreito de Gibraltar e pelo sul espanhol, a sombra da Lua prosseguirá pelo norte de África e atravessará diferentes territórios antes de continuar em direção à Península Arábica e ao oceano Índico. O ponto de maior duração de todo o eclipse ficará no Egito, onde a fase total atingirá cerca de 6 minutos e 23 segundos, tornando o eclipse de agosto de 2027 num dos eclipses totais mais prolongados do século.
E em Portugal? Algarve será o melhor local
Quem não quiser atravessar a fronteira também conseguirá acompanhar um fenómeno muito expressivo. Existe, contudo, uma diferença fundamental: em Portugal, o eclipse será sempre parcial. A faixa de totalidade passa a sul do território português.
Será no Algarve que a Lua esconderá uma maior percentagem do disco solar. Em Faro, os cálculos apontam para aproximadamente 99,3% da superfície do Sol ocultada no momento máximo. Em Quarteira, o valor deverá rondar os 99,1%, em Albufeira cerca de 99% e em Portimão aproximadamente 98,8%.
Apesar de estes valores parecerem praticamente equivalentes a um eclipse total, a diferença é importante. Mesmo com 99% do disco ocultado, permanece uma pequena parte extremamente luminosa do Sol visível e não se experimenta exatamente o mesmo fenómeno de escuridão total observado dentro da faixa de totalidade.
Em Faro, o eclipse deverá começar aproximadamente às 08h40, atingir o máximo perto das 09h45, hora portuguesa, e terminar por volta das 10h57. O fenómeno completo prolongar-se-á, portanto, durante cerca de duas horas e 17 minutos, embora a ocultação máxima ocorra apenas durante uma pequena parte desse período.
Lisboa e Porto também verão grande parte do Sol desaparecer
A percentagem de ocultação irá diminuindo à medida que se avança para norte, mas o fenómeno continuará bastante evidente em grande parte do território. Em Lisboa, cerca de 92,6% do Sol deverá ficar escondido no momento máximo. No Porto, a percentagem será próxima dos 82,6%.
Proteção continuará a ser obrigatória em Portugal
Existe ainda uma diferença de segurança que não deve ser ignorada. Como Portugal ficará sempre fora da faixa de totalidade, não existirá qualquer momento em que seja seguro observar diretamente o Sol sem proteção adequada. Durante todas as fases do eclipse em território português será necessário utilizar óculos próprios para observação solar ou recorrer a métodos seguros de projeção. Óculos de sol comuns não oferecem a proteção necessária. O mesmo princípio aplica-se a câmaras, binóculos e telescópios, que necessitam de filtros solares próprios colocados corretamente à frente da objetiva.
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