Uma presença diária na mesa de muitas famílias portuguesas, o azeite tem registado uma descida de preços depois de dois anos de aumentos consecutivos que pesaram no orçamento dos consumidores. Entre 2022 e 2024 os valores atingiram máximos históricos, mas este ano verificou-se já uma redução, ainda que os preços se mantenham acima dos praticados antes da escalada.
A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) lembra que Portugal está entre os maiores produtores e consumidores per capita de azeite do mundo, e que a evolução do preço deste produto teve um impacto direto nas famílias, que chegaram a restringir o seu consumo.
Evolução do preço desde 2022
Segundo a mesma fonte, em janeiro de 2022 uma garrafa de 75 centilitros de azeite virgem extra custava, em média, 4,46 euros. Um ano mais tarde, o valor subira para 5,92 euros, um acréscimo de 32,67 por cento. Em janeiro de 2024, o preço já era de 11,06 euros, mais 86,75% face ao ano anterior, atingindo em abril o recorde de 12 euros por garrafa.
Escreve a DECO que, apesar de uma descida nos meses seguintes, a primeira semana de 2025 apresentou um preço médio de 9,52 euros, o que corresponde a mais 5,06 euros do que no início de 2022.
Fatores que justificam a subida
Acrescenta a publicação que a escalada dos preços resultou de vários fatores, como a seca que reduziu a produção de azeitona em cerca de 40% em 2022, em Portugal, a subida da inflação e o aumento dos custos energéticos, de transportes e de fertilizantes. A guerra na Ucrânia contribuiu igualmente para este contexto de encarecimento.
Refere a mesma fonte que, após mais de dois anos de aumentos sucessivos, os valores começaram a recuar, apontando para uma tendência de estabilização, ainda que longe dos patamares anteriores a 2022.
Produção nacional e perspetivas futuras
De acordo com as Estatísticas Agrícolas 2024, do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção nacional de azeite atingiu 180 mil toneladas no último ano, o segundo valor mais elevado desde que existem registos. Apesar de inicialmente se antecipar um crescimento da produção este ano, os meses consecutivos de calor moderaram as expectativas.
Conforme a mesma fonte, em Espanha, o verão foi marcado por temperaturas elevadas e condições de seca extrema, o que levanta incertezas quanto à evolução dos preços no curto prazo. Embora se preveja que não regressem aos níveis que antecederam 2022, a tendência atual aponta para uma ligeira descida.
















