O novo Cartão de Cidadão começou a ser emitido em 2024 e tornou-se o modelo de referência a partir de 2026. Apesar de manter o formato conhecido, o documento representa a maior atualização desde a sua criação. Segundo o site da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o objetivo é claro: reforçar a segurança, cumprir normas europeias mais exigentes e adaptar o cartão a um quotidiano cada vez mais digital. O tema central desta mudança está na tecnologia incorporada no próprio cartão, embora os seus efeitos só se tornem evidentes com o uso diário.
A transformação não é apenas técnica. O novo modelo foi pensado para durar mais tempo, resistir melhor a tentativas de fraude e funcionar como uma verdadeira chave de acesso a serviços públicos e privados, sem depender de processos complexos ou equipamentos específicos.
A aposta decisiva na tecnologia sem contacto
A principal novidade está no chip de dupla interface, que permite leitura por contacto e por aproximação. A tecnologia NFC passa a ser parte integrante do Cartão de Cidadão, permitindo autenticação apenas com a aproximação a um leitor compatível ou a um smartphone.
Este funcionamento aproxima o documento dos sistemas usados em pagamentos eletrónicos ou passes de transporte, tornando o processo mais rápido e intuitivo. De acordo com o site da Caixa Geral de Depósitos, instituição bancária portuguesa com forte especialização em serviços financeiros e informação ao consumidor, esta tecnologia facilita o acesso seguro a plataformas digitais e reduz a necessidade de leitores físicos tradicionais.
Um novo desenho com função prática
O aspeto visual do cartão foi profundamente revisto. A fotografia do titular surge agora em maior destaque e é gravada a laser diretamente no corpo do cartão, o que dificulta a sua alteração. O fundo integra padrões gráficos que variam consoante a inclinação e a luz, uma solução comum em documentos de elevada segurança.
Estas escolhas não respondem a critérios estéticos. São medidas pensadas para dificultar a contrafação e permitir uma verificação mais imediata da autenticidade.
Materiais mais robustos e menos vulneráveis
O novo Cartão de Cidadão é produzido em policarbonato de uma só peça. Isto significa que não pode ser separado em camadas sem ficar visivelmente danificado. Qualquer tentativa de manipulação deixa marcas evidentes, facilitando a deteção de fraude.
Existem ainda elementos apenas visíveis sob luz ultravioleta, utilizados em controlos oficiais para confirmar rapidamente a validade do documento.
O fim do número de eleitor no cartão
Tal como já vinha a acontecer, o número de eleitor deixa de constar no Cartão de Cidadão. O recenseamento eleitoral é automático e está associado ao Número de Identificação Civil. Na prática, para votar, basta apresentar o cartão, sem necessidade de qualquer referência adicional.
Melhor desempenho em contexto de viagem
O novo modelo cumpre integralmente as normas internacionais da Organização da Aviação Civil Internacional, aplicadas a documentos de viagem eletrónicos.
Isso permite uma leitura mais rápida nas portas automáticas dos aeroportos e uma experiência mais fluida, sobretudo em deslocações dentro do espaço europeu.
É obrigatório substituir o cartão antigo?
Não. De acordo com a CGD, os cartões anteriores continuam válidos até à data de validade indicada. A substituição acontece de forma gradual, sempre que há renovação, perda ou roubo do documento. Segundo a mesma fonte, esta abordagem progressiva evita constrangimentos nos serviços e custos desnecessários para os cidadãos.
Há ainda um detalhe discreto no novo cartão: um pequeno símbolo que indica a presença de um chip eletrónico compatível com sistemas de leitura digital e controlo fronteiriço. Um sinal quase invisível, mas que revela até que ponto o Cartão de Cidadão passou a ser pensado como uma ferramenta ativa no dia a dia digital.
















