Os concertos de Bad Bunny em Lisboa estão a gerar denúncias de alegadas burlas relacionadas com a venda de bilhetes e acessos VIP falsos. Pelo menos 30 pessoas afirmam ter pago centenas ou milhares de euros por ingressos que acabaram por não funcionar à entrada do Estádio da Luz. De acordo com o Jornal de Notícias, o prejuízo total poderá ultrapassar os 40.000 euros.
Entre os relatos surgem casos de pessoas que só descobriram o problema momentos antes do espetáculo, depois de viajarem até Lisboa ou de receberem confirmações aparentemente válidas. Segundo a mesma fonte, várias vítimas acreditavam estar a comprar bilhetes através de um intermediário conhecido nas redes sociais e ligado ao meio da comunicação e eventos.
Nome repetido em várias denúncias
No centro das queixas está um homem identificado como João L., antigo relações-públicas no Porto, que se apresentava também como jornalista. Escreve o mesmo jornal que o suspeito acumulava mais de 15.000 seguidores no Instagram, perfil entretanto desativado.
Conforme a mesma fonte, muitas das vítimas decidiram avançar para a compra dos bilhetes por acreditarem tratar-se de uma fonte credível. Há relatos de ingressos vendidos como acessos exclusivos, incluindo zonas VIP junto à chamada “casita” associada ao espetáculo do artista porto-riquenho.
Bilhetes chegaram por WhatsApp
Uma das vítimas afirma ter pago 600 euros por quatro bilhetes enviados posteriormente através de WhatsApp. Refere a publicação que o comprador acreditou que tudo estava regularizado depois de confirmar que o nome associado ao IBAN coincidia com o contacto do alegado vendedor.
Dias antes do concerto, recebeu uma mensagem a indicar que o próprio vendedor teria sido vítima de fraude. Apenas à entrada do Estádio da Luz percebeu que os bilhetes não eram válidos.
Descoberta aconteceu à porta do estádio
Entre os lesados está Hélder Teixeira, produtor ligado à Shine Iberia e antigo colaborador do Porto Canal. De acordo com o Jornal de Notícias, adquiriu quatro bilhetes por 150 euros cada e só percebeu na véspera do concerto que os ingressos poderiam não funcionar.
Hélder Teixeira explicou que, após partilhar a situação nas redes sociais e junto da comunicação social, começaram a surgir dezenas de contactos de outras alegadas vítimas. Acrescenta a publicação que o produtor pediu a todas as pessoas afetadas para apresentarem queixa junto das autoridades.
Há vítimas com perdas superiores a 1.000 euros
Segundo a mesma fonte, existem relatos de prejuízos muito superiores aos inicialmente conhecidos. Hélder Teixeira refere o caso de uma mulher de Braga que terá gasto 1.200 euros e ficou sem capacidade financeira para recuperar rapidamente o valor perdido.
Escreve o jornal que outras pessoas acreditavam ter comprado experiências premium para os concertos, acabando impedidas de entrar no recinto quando os códigos dos bilhetes foram recusados pelos sistemas de validação.
Autoridades intensificaram fiscalização
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) decidiu reforçar as operações de fiscalização relacionadas com a venda ilegal de bilhetes. A ASAE realizou a chamada “Operação Puerto Rico” durante os dias dos concertos de Bad Bunny.
Seis pessoas foram detidas por suspeitas de especulação na venda de ingressos. A operação resultou ainda na apreensão de 14 bilhetes comercializados em plataformas digitais e redes sociais acima do preço original.
Lucros ilegais chegaram aos 410 euros por bilhete
Em comunicado, a ASAE revelou que as margens de lucro identificadas variavam entre 120 e 410 euros por ingresso vendido. Refere a publicação que foram instaurados seis processos-crime relacionados com estas práticas. A autoridade lembra ainda que a venda especulativa de bilhetes constitui crime e pode ser punida com pena de prisão até três anos, além de multa. Acrescenta a mesma fonte que os consumidores devem privilegiar os canais oficiais de venda.
O alegado vendedor associado a várias destas denúncias já seria conhecido das autoridades desde o período da pandemia da Covid-19, devido a situações semelhantes relacionadas com eventos. Até ao momento continuam a surgir relatos de novas vítimas ligadas aos concertos realizados em Lisboa, enquanto as autoridades prosseguem a investigação às alegadas burlas.
Leia também: Há uma nova ferramenta na Segurança Social que pode mudar a sua reforma (e quase ninguém deu por isso)















