Há um estudo que aponta uma vantagem inesperada para quem preserva o português nas gerações descendentes. Entre 2018 e 2022, os falantes de português registaram um salário anual mediano de 58.923 dólares (cerca de 50.923€), contra 54.046 dólares (cerca de 46.708€) dos não falantes e 46.762 dólares (cerca de 40.413€) da média nacional.
A fonte e o relatório
De acordo com o Executive Digest, uma revista portuguesa especializada em gestão, inovação e economia, o relatório An American Dream in Portuguese: Second Generation and Beyond, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), revela que o domínio do português se traduz numa vantagem económica clara no mercado de trabalho.
Língua e rendimento
O estudo mostra que esta diferença salarial se mantém mesmo entre quem não concluiu o ensino superior.
Nos diplomados, a influência direta do português é menos pronunciada porque o tipo de ocupação assume maior peso nas remunerações. Em particular, funções não rotineiras e especializadas tendem a ser as que pagam melhor, independentemente da língua.
Identidade e comunidade
As investigadoras Alda Botelho Azevedo e Lara Patrício Tavares destacam que a língua portuguesa continua a funcionar como um elemento de identidade e coesão.
Segundo a mesma fonte, preservar o idioma não provoca um afastamento de Portugal, antes reforça uma ligação simbólica às origens enquanto se prossegue a integração plena na sociedade local.
Dinamismo feminino
A presença mais forte das mulheres no mercado de trabalho entre os luso-descendentes é outro dado relevante. A maior taxa de emprego feminino contribui de forma significativa para o rendimento agregado das famílias e para o desempenho económico da comunidade.
Onde está a língua viva
Geograficamente, a presença lusa mantém-se concentrada nas rotas tradicionais de imigração. A Nova Inglaterra acolhe 311 mil residentes de origem portuguesa, com 16% a falar ainda português. A Califórnia soma 278 mil, dos quais 8% são falantes.
Nova Iorque e Nova Jérsia apresentam a maior proporção de falantes, 34%, e é nesses locais que se nota uma associação entre domínio do português, maior qualificação profissional e salários mais altos. Nem todos os estados seguem o mesmo padrão: no Havai, por exemplo, os falantes obtêm rendimentos inferiores aos não falantes.
Renovação e escolha
Entre 2018 e 2022 havia 1.138.117 luso-americanos nascidos nos Estados Unidos com mais de cinco anos, dos quais 156.358 mantinham o português. Segundo o Executive Digest, o número de falantes cresceu 16% face ao período anterior enquanto os não falantes registaram uma queda de 1%, sinalizando uma renovação geracional.
Uma escolha com consequências
Os falantes tendem a ser mais jovens, 39 anos, em média, entre os homens e 42 entre as mulheres, contra 43 e 44 anos dos não falantes. Falar português surge assim como uma opção identitária que pode traduzir-se em oportunidades profissionais e, nalguns casos, facilitar o acesso à cidadania portuguesa por via da ascendência.
O relatório conclui que este “sonho americano em português” é simultaneamente uma vantagem económica e um modo de renovar a presença cultural da comunidade, segundo o Executive Digest.
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