Uma utente da Unidade de Saúde da Brandoa, na Amadora, ficou sem consulta com a médica de família por se ter atrasado um minuto, num episódio ocorrido na passada quarta-feira. O caso, entretanto reclamado pela própria, trouxe para o debate as regras de funcionamento das unidades de cuidados de saúde primários e a importância do médico de família no Serviço Nacional de Saúde.
De acordo com o Correio da Manhã, a consulta estava marcada para as 10:40 h e, quando a utente tentou confirmar a presença às 10:41 h, a máquina automática já não aceitou a senha.
Um minuto fora da hora
Perante a recusa do sistema, a utente dirigiu-se ao balcão de atendimento. Segundo a mesma fonte, foi informada de que se encontrava fora do horário previsto e que deveria ter chegado com antecedência. “Fui ao guiché e a secretária disse-me que estava fora da hora, que devia ter chegado meia hora antes e que a médica já não me podia atender”, relatou ao mesmo jornal.
A consulta acabou por não se realizar e foi posteriormente remarcada para a quarta-feira seguinte. Escreve a publicação que a utente apresentou reclamação formal sobre o sucedido. “Acho um excesso de zelo, quando os médicos se atrasam também temos de esperar”, afirmou, numa crítica direta à rigidez do procedimento adotado.
O que diz a unidade local de saúde
Contactada sobre o caso, a ULS Amadora-Sintra garantiu que não existem orientações de tolerância zero nos cuidados de saúde primários. Conforme a mesma fonte, as unidades têm autonomia para gerir os seus recursos da forma que considerem mais adequada.
O Correio da Manhã acrescenta que a gestão dos tempos e dos atendimentos cabe às estruturas locais, dentro do enquadramento legal existente.
Papel do médico de família
O episódio surge num contexto em que o acesso a médico de família continua a ser uma preocupação para muitos utentes. Um médico de família assegura cuidados primários, acompanha doenças crónicas, emite receitas e coordena encaminhamentos para especialidades.
Entre as suas funções estão o acompanhamento continuado dos utentes, a prevenção da doença, a promoção de estilos de vida saudáveis e a articulação com outros níveis de cuidados, sendo frequentemente o primeiro ponto de contacto com o sistema de saúde.
Quem pode pedir e em que circunstâncias
Podem solicitar a atribuição de médico de família os cidadãos inscritos no SNS, incluindo portugueses, residentes legais e beneficiários de acordos internacionais. Refugiados e requerentes de asilo também têm direito a esse acompanhamento.
Já turistas, visitantes temporários ou pessoas não inscritas no SNS não têm, em regra, acesso a médico de família, embora o acesso a cuidados urgentes seja garantido. Em algumas regiões, a escassez de profissionais pode originar listas de espera, o que torna cada consulta um recurso particularmente relevante.
O caso da utente da Brandoa, centrado num atraso de um minuto, expõe a tensão entre regras administrativas e a expectativa de flexibilidade por parte dos utentes, num sistema onde o médico de família continua a desempenhar um papel central no acompanhamento da saúde.
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