Cerca de 2.000 pequenos aforradores suíços investiram 130 milhões de euros em obrigações verdes da empresa PrimeEnergy Cleantech SA, acreditando que o dinheiro seria aplicado em projetos de energias renováveis. A empresa, sediada em Basileia, acabou por entrar em falência no final de 2024, desencadeando uma investigação criminal que levantou dúvidas sobre o destino real dos fundos.
De acordo com o jornal Expresso, os procuradores de Genebra descobriram que parte desse capital foi desviada para um investimento num negócio de canábis medicinal em Portugal. O montante identificado pelas autoridades ronda os 8,1 milhões de euros e terá sido aplicado sem conhecimento dos investidores.
Falência desencadeou investigação criminal
A queda da empresa levou à abertura de um processo judicial na Suíça. Segundo a mesma fonte, mais de 800 investidores decidiram constituir-se como queixosos no caso, procurando recuperar parte das poupanças aplicadas nas obrigações.
As autoridades detiveram os dois principais responsáveis da empresa. Conforme refere a mesma fonte, Laurin Fäh, fundador da PrimeEnergy, e Khalid Belgmimi, diretor executivo, foram detidos a 30 de setembro e permanecem em prisão preventiva.
Suspeitas de fraude e gestão danosa
O processo judicial investiga vários crimes relacionados com a gestão da empresa. De acordo com o mesmo jornal, os dois empresários são suspeitos de abuso de confiança, burla, gestão danosa e bancarrota fraudulenta.
A investigação revelou ainda que o dinheiro captado junto dos investidores era frequentemente transferido para outra estrutura empresarial ligada ao fundador da companhia. Segundo a mesma fonte, esses fundos eram encaminhados para a Bargella Invest AG, uma holding pessoal de Laurin Fäh.
Uma holding no centro das movimentações
Depois de receber os fundos, a holding utilizava o dinheiro em vários investimentos. Parte dessas verbas foi posteriormente canalizada para projetos empresariais fora da Suíça.
Já depois de a PrimeEnergy ter sido declarada falida, a Bargella Invest AG emitiu faturas no valor de cerca de 12 milhões de euros em nome da empresa. Acrescenta a publicação que os procuradores consideram que essa operação fazia parte do esquema financeiro investigado.
O investimento que chegou ao norte de Portugal
Uma das aplicações do dinheiro ocorreu em território português. Segundo o Expresso, em dezembro de 2023 a Bargella Invest AG concedeu um empréstimo de 8,1 milhões de euros à Befa Consulting.
Esta empresa está ligada à SMC Therapeutic Health Center Production, fundada em 2019 em Vila de Prado, no concelho de Vila Verde. Conforme refere a mesma fonte, a sociedade é controlada em 70% pelos dois arguidos através dessa estrutura empresarial.
Ligação ao gerente da filial portuguesa
O gerente da sucursal portuguesa da PrimeEnergy surge também ligado ao projeto empresarial. Escreve o jornal português que Carlos de Amorim detém uma participação de 30% na SMC Therapeutic e está associado à gestão da empresa.
Durante os interrogatórios conduzidos em Genebra, Laurin Fäh explicou como surgiu o investimento em Portugal. “Quando fui a Portugal para ver os escritórios da nossa filial portuguesa da PrimeEnergy, pude constatar que Carlos de Amorim era um gestor muito organizado que tinha contactos com as autoridades e decidimos, portanto, investir nesse projeto”, afirmou o empresário aos procuradores.
















