O litoral continental português voltou a sofrer perdas significativas durante o inverno, com vários troços da costa a registarem recuos de 20 metros da linha de praia, destruição de acessos e instabilidade em zonas de arribas. Os dados mais recentes mostram que o avanço do mar tem provocado alterações visíveis em diferentes regiões do país, deixando também danos em infraestruturas costeiras.
De acordo com o jornal Expresso, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) identificou nos últimos quatro meses 749 ocorrências e 571 situações de danos em 147 locais ao longo da costa. Entre os problemas registados encontram-se galgamentos marítimos, colapso de acessos às praias e perda significativa de sedimentos.
Tempestades consecutivas deixaram marcas
Grande parte destes danos está associada à sucessão de tempestades que atingiu o território entre a segunda quinzena de janeiro e o início de fevereiro. Segundo a mesma fonte, fenómenos meteorológicos, como as tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta afetaram o litoral com especial intensidade.
Foram necessários mais de 20 dias consecutivos de tempestades para provocar um impacto comparável ao registado durante a tempestade Hércules, que atingiu o país no inverno de 2013 e 2014.
Ondas extremas e perda de areia
Durante este período registaram-se episódios de agitação marítima particularmente intensa. Escreve o jornal que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) chegou a emitir 24 avisos laranja e quatro avisos vermelhos devido à ondulação, que ultrapassou os oito metros e atingiu picos de cerca de 15 metros.
“O avanço do mar arrastou grandes volumes de areia e fez colapsar estruturas costeiras”, afirmou o presidente da APA, José Pimenta Machado, citado pela publicação. Segundo o responsável, a perda de sedimentos deixou vários muros de proteção expostos e aumentou a vulnerabilidade de diversas zonas balneares.
Recuos significativos em várias praias
Alguns dos exemplos mais expressivos ocorreram no litoral do concelho de Ovar. Conforme a mesma fonte, a praia de São Pedro da Maceda registou um recuo de cerca de 20 metros entre outubro e fevereiro, um valor que expõe a fragilidade daquele troço costeiro.
Outras zonas também registaram perdas relevantes nos últimos anos. Foram medidos recuos de cerca de 10 metros em Pedrinhas (Cedovém), no concelho de Esposende, 14 metros em São João da Caparica e cerca de 15 metros na zona de Quarteira (Forte Novo).
Investigadores confirmam novos dados
Estudos recentes realizados por investigadores reforçam estes números. “Na Costa Nova temos uma das taxas de recuo mais elevadas: entre outubro e 3 de março houve um recuo de 13 metros”, explicou o especialista Paulo Baganha Baptista, da Universidade de Aveiro, citado pelo Expresso.
Na praia de Mira, acrescentou o investigador, “houve um recuo de cerca de cinco metros ao longo de cerca de um quilómetro e recuos pontuais de nove e 10 metros”, alguns dos quais ocorreram apenas durante os dias de tempestade no mês de fevereiro.
Obras urgentes e risco para algumas praias
Perante os danos registados, estão previstas intervenções de emergência em vários pontos da costa. De acordo com o Expresso, cerca de 27 milhões de euros deverão ser aplicados até ao final de 2026 em ações destinadas à reposição de areia, reparação de estruturas de proteção e reconstrução de acessos destruídos.
Ainda assim, admite o presidente da APA, “há praias que poderão não abrir na época balnear por questões de segurança”, sobretudo em zonas mais pequenas rodeadas por arribas instáveis.
















