Com o final do ano a aproximar-se, muitos contribuintes começam a olhar para o IRS apenas quando chega a época da entrega da declaração. No entanto, há decisões que podem ser tomadas ainda antes de 31 de dezembro e que influenciam diretamente o valor do reembolso a receber em 2026. A regra é simples: só contam as despesas realizadas dentro do ano civil, mas a forma como são planeadas pode fazer uma diferença significativa no acerto final com o Fisco.
De acordo com o Ekonomista, site especializado em economia, as deduções à coleta em sede de IRS baseiam-se nas despesas devidamente comunicadas e associadas ao número de contribuinte, dentro de categorias específicas definidas pela lei. É por isso que os últimos dias do ano são vistos como uma oportunidade para ajustar contas, sobretudo para quem ainda não atingiu os limites máximos de dedução.
Saúde continua a ser uma das deduções mais relevantes
As despesas de saúde mantêm-se entre as mais vantajosas, permitindo deduzir 15 por cento do valor gasto. Entram nesta categoria consultas médicas, exames, análises clínicas, tratamentos dentários, fisioterapia, internamentos e medicamentos sujeitos a receita médica.
Segundo a mesma fonte, muitos contribuintes acabam por perder parte desta dedução por adiarem cuidados de saúde que já estavam planeados. Consultas de rotina, tratamentos dentários ou a compra de óculos graduados são exemplos de despesas que, quando realizadas até ao final do ano, contam para o IRS seguinte. O essencial é garantir que a fatura tem o NIF corretamente associado.
Educação e formação podem pesar no reembolso
As despesas de educação permitem uma dedução de 30 por cento e abrangem propinas, mensalidades escolares, creches, ATL, manuais e material escolar. Também cursos de formação profissional certificados entram nesta categoria.
De acordo com a publicação especializada, antecipar o pagamento de propinas ou mensalidades, quando permitido pelas instituições, pode ser uma forma legítima de reforçar as deduções. O mesmo se aplica à compra de livros ou material escolar que já se saiba necessário para o início do ano seguinte.
Habitação e rendas exigem atenção aos detalhes
Quem vive em casa arrendada pode deduzir 15 por cento das rendas pagas, dentro dos limites legais. Já no crédito à habitação, apenas contratos celebrados até ao final de 2011 continuam a beneficiar de dedução dos juros.
Segundo o Ekonomista, é importante confirmar que todas as rendas estão devidamente comunicadas pelo senhorio no Portal das Finanças. Um simples erro de comunicação pode fazer desaparecer uma dedução relevante no apuramento final do imposto.
Despesas gerais e familiares ajudam a “fechar” o teto
As despesas gerais e familiares funcionam como uma base transversal e permitem deduzir 35 por cento dos gastos do dia a dia, como restauração, cabeleireiros, oficinas, ginásios ou vestuário. Embora tenham um limite máximo relativamente baixo, são essenciais para atingir o teto global de deduções.
De acordo com a mesma fonte, pedir sempre fatura com NIF continua a ser a regra de ouro. Pequenas despesas acumuladas ao longo do ano fazem diferença quando somadas.
Lares, dependentes e seguros de saúde
As despesas com lares de idosos ou centros de dia permitem deduzir 25 por cento dos valores pagos. Também os prémios de seguros de saúde dão direito a uma dedução autónoma de 15 por cento.
O Ekonomista explica que estas deduções são frequentemente esquecidas, sobretudo no caso dos seguros, quando os pagamentos são feitos por débito direto e não conferidos no e-fatura.
Organização é tão importante como gastar
Mais do que aumentar despesas, o essencial é organizá-las. Validar faturas no e-fatura, confirmar categorias e guardar comprovativos são passos fundamentais. Há ainda a possibilidade de corrigir ou reclamar faturas até fevereiro, mas o ideal é entrar no novo ano com tudo regularizado.
Planeamento fiscal não é gastar mais, é gastar melhor. E, em muitos casos, o reembolso de IRS começa a ser construído antes mesmo do fim do ano.
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