A escassez de medicamentos à base de quetiapina está a afetar o mercado português, levando a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) a emitir recomendações urgentes dirigidas a médicos, farmácias, distribuidores e utentes. Em causa estão fármacos usados no tratamento da esquizofrenia, da depressão e de episódios bipolares, cuja ausência pode comprometer a continuidade terapêutica.
O alerta surge num contexto de dificuldades de abastecimento que não se limita a Portugal e que já motivou a intervenção de autoridades nacionais e europeias. O regulador pede contenção na dispensa, avaliação de alternativas e contacto imediato com o médico assistente sempre que o medicamento não esteja disponível.
Um problema com origem fora do país
De acordo com a SIC Notícias, a principal causa da rutura está associada a constrangimentos numa unidade fabril localizada na Grécia, responsável pela produção de quetiapina para várias empresas presentes no mercado europeu.
Segundo a mesma fonte, estas limitações afetaram sobretudo os comprimidos de libertação prolongada, levando a um aumento súbito da procura por medicamentos similares de outros fabricantes, que não conseguiram responder à procura apesar do reforço da produção.
Todas as dosagens afetadas
A indisponibilidade abrange todas as dosagens de quetiapina na forma farmacêutica de libertação prolongada, sendo uma situação transversal a vários países europeus.
Acrescenta a publicação que, de acordo com a Agência Europeia de Medicamentos, os constrangimentos deverão manter-se ao longo do primeiro semestre de 2026, o que afasta uma resolução imediata do problema.
Recomendações clínicas em contexto de escassez
Perante este cenário, o Infarmed, após consulta à Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica, emitiu orientações dirigidas aos médicos. Refere a mesma fonte que a transição entre antipsicóticos não é linear, devido à ausência de consenso na equivalência de doses.
Ainda assim, alguns doentes poderão ser encaminhados para quetiapina de libertação imediata, com ajuste individualizado, podendo também ser ponderada a utilização de outros antipsicóticos como a zotepina ou a olanzapina.
Prescrição limitada e gestão do stock
Esclarece a SIC Notícias que o regulador recomenda que a prescrição de quetiapina de libertação prolongada seja limitada aos doentes já em tratamento para os quais não seja possível uma alternativa terapêutica adequada.
No circuito de distribuição é considerada essencial uma “distribuição equitativa e criteriosa das embalagens disponíveis por todas as farmácias”, estando igualmente proibida a exportação destes medicamentos até normalização do abastecimento.
O que devem fazer farmácias e utentes
Refere a mesma fonte que as farmácias devem dispensar quetiapina apenas para um mês de tratamento, após consulta do histórico do doente, evitando a acumulação de stock em quantidades elevadas.
O Infarmed aconselha ainda os utentes a contactarem o médico assistente caso não consigam adquirir o medicamento nas farmácias, para que seja avaliada uma alternativa terapêutica que assegure a continuidade do tratamento sem interrupções.
















