Com a chegada dos dias mais quentes, é mais comum surgirem baratas em casas, garagens, cozinhas e zonas húmidas. Em Portugal, como noutros países, a presença destes insetos está muitas vezes associada a restos de comida, água acumulada, fendas, ralos e locais escuros onde conseguem esconder-se durante o dia.
As baratas procuram sobretudo alimento, água e abrigo. Por isso, antes de recorrer a produtos químicos, há medidas simples que podem ajudar a reduzir a probabilidade de uma infestação, desde limpar restos de comida até corrigir fugas de água e manter o lixo bem fechado.
Segundo a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), as baratas fazem parte das chamadas pragas rastejantes e podem representar um risco quando entram em contacto com alimentos, superfícies de preparação ou zonas de armazenamento. Por esse motivo, a prevenção e a deteção rápida são fundamentais para evitar que o problema aumente.
Vinagre pode ajudar na limpeza das zonas onde aparecem baratas
Uma das estratégias caseiras mais usadas passa pelo vinagre, não tanto como solução milagrosa para eliminar baratas, mas como aliado na limpeza de bancadas, rodapés, zonas junto ao lixo e locais onde possam existir odores ou resíduos que atraem estes insetos.
A EPA, Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, recomenda retirar fontes de alimento, água e abrigo como primeiro passo no controlo de pragas. Neste contexto, limpar superfícies com regularidade, remover gordura, migalhas e restos de comida pode ser mais importante do que aplicar qualquer produto de forma isolada.
Pode preparar uma solução simples com água e vinagre para limpar zonas de passagem, sobretudo na cozinha e na casa de banho. Ainda assim, esta solução deve ser vista como uma medida de limpeza e prevenção, não como um tratamento garantido contra uma infestação já instalada.
Cheiros fortes podem funcionar como barreira natural
Além do vinagre, há quem use cheiros fortes, como louro, hortelã, eucalipto, alecrim ou óleos essenciais, para tentar afastar baratas de armários, despensas, entradas e zonas húmidas. Alguns estudos científicos analisaram óleos essenciais, incluindo eucalipto, hortelã, orégãos e alecrim, contra espécies de baratas, apontando potencial repelente ou inseticida em determinadas condições laboratoriais.
Isto não significa que colocar folhas de louro ou algumas gotas de óleo essencial resolva uma praga de baratas em casa. Estes cheiros podem ajudar como complemento, mas devem ser acompanhados por limpeza, redução da humidade, remoção de resíduos e vedação de entradas.
Se optar por usar óleos essenciais, deve evitar aplicá-los em excesso, sobretudo em casas com crianças, grávidas, pessoas sensíveis ou animais de estimação. Muitos produtos naturais também podem causar irritação ou ser tóxicos para animais quando usados de forma incorreta.
Cozinha e casa de banho são zonas onde as baratas mais aparecem
A cozinha é uma das zonas mais críticas, porque pode concentrar restos de comida, gordura, lixo e embalagens abertas. Guardar alimentos em recipientes bem fechados, limpar bancadas e não deixar loiça suja no lava-loiça durante a noite são medidas recomendadas para reduzir a atração de baratas.
Na casa de banho, o problema pode estar ligado a humidade, ralos, pequenas fugas ou água acumulada. A EPA aconselha reparar canalizações com fugas e evitar acumulações de água dentro de casa, uma vez que a água é um dos elementos que favorece a permanência de pragas.
Também é importante verificar fendas, rodapés, passagens de canos, portas e janelas. A University of Minnesota Extension recomenda selar fissuras e espaços onde as baratas se podem esconder, uma vez que estes insetos tendem a procurar locais escuros, estreitos e protegidos.
Quando os cheiros naturais já não chegam
Se vir baratas com frequência, encontrar fezes, ovos, cheiro desagradável ou insetos durante o dia, o problema pode já estar mais avançado. Nesses casos, vinagre, louro ou óleos essenciais dificilmente serão suficientes para resolver a situação.
Em Portugal, os produtos destinados a controlar, repelir ou eliminar organismos nocivos podem enquadrar-se na área dos biocidas. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) explica que esta categoria inclui produtos como inseticidas e repelentes, que devem ser usados de acordo com as indicações do rótulo e com os cuidados de segurança adequados.
A EPA alerta ainda que não se devem usar produtos de exterior dentro de casa, nem transferir pesticidas para outros recipientes. Crianças e animais devem ser mantidos afastados das zonas tratadas, e, quando a infestação é persistente, pode ser necessário recorrer a uma empresa especializada em controlo de pragas.
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