A Inteligência Artificial está a ganhar espaço na forma como os portugueses procuram informação sobre saúde e mais de metade admite que poderá recorrer a esta tecnologia em vez de marcar uma consulta médica. De acordo com a agência noticiosa Lusa, um estudo internacional conclui que 51% dos portugueses consideram utilizar ferramentas de IA como alternativa ao contacto inicial com um profissional de saúde, embora persistam reservas quanto à fiabilidade e à proteção dos dados pessoais.
O relatório STADA Health Report 2026 analisou cerca de 20.000 participantes em 20 países entre fevereiro e março deste ano. Em Portugal, a percentagem de pessoas abertas a recorrer à inteligência artificial para questões de saúde fica abaixo da média internacional, situada nos 58%, colocando o país na 15.ª posição do ranking.
O estudo mostra ainda que a predisposição para utilizar estas ferramentas é mais elevada entre homens, pessoas mais jovens e quem já recorre habitualmente à automedicação. A investigação sugere que uma maior autonomia na gestão da saúde contribui para uma maior aceitação da tecnologia.
Como os portugueses utilizam a IA
Os dados revelam diferentes formas de utilização da inteligência artificial. Cerca de 30% dos inquiridos afirmam recorrer à IA para compreender diagnósticos, enquanto 22% dizem utilizá-la para prevenção de doenças.
Acrescenta a agência de notícias que 13% recorrem à tecnologia para preparar consultas médicas e 11% procuram uma segunda opinião. Já 6% utilizam estas ferramentas como apoio em questões relacionadas com a saúde mental. Apesar disso, quase metade dos portugueses, correspondente a 49%, afirma não utilizar inteligência artificial para qualquer assunto relacionado com saúde.
Benefícios reconhecidos, mas também muitas reservas
Apesar das dúvidas, muitos participantes reconhecem vantagens na utilização destas ferramentas. Mais de metade dos portugueses acredita que a inteligência artificial poderá contribuir para diagnósticos mais rápidos, um valor superior à média dos países analisados.
Além disso, 38% consideram que esta tecnologia poderá facilitar o acesso aos cuidados de saúde, sobretudo em regiões com menor cobertura médica, enquanto 35% entendem que poderá ajudar os profissionais de saúde a manterem-se atualizados sobre os avanços científicos.
Principais receios dos utilizadores
As preocupações continuam, contudo, a pesar na decisão dos portugueses. Segundo a mesma fonte, 61% receiam erros ou diagnósticos incorretos produzidos por sistemas de inteligência artificial, uma percentagem superior à média internacional.
Entre os restantes receios surgem a utilização indevida dos dados clínicos, mencionada por 46% dos inquiridos, e a eventual redução do contacto humano nos cuidados de saúde, preocupação partilhada por 43% dos participantes.
Confiança continua nos profissionais de saúde
O relatório conclui que, apesar da crescente utilização destas ferramentas, a confiança dos europeus continua centrada nos médicos e restantes profissionais de saúde. Cerca de 77% afirmam recorrer ao médico de família ou a outros especialistas para tomar decisões relacionadas com a sua saúde, enquanto aproximadamente oito em cada dez preferem consultas presenciais.
A Lusa refere ainda que 82% dos europeus mostram abertura à utilização da inteligência artificial nos cuidados de saúde e 55% já utilizam esta tecnologia para obter informações relacionadas com o seu estado de saúde.
Tecnologia em crescimento, mas sem substituir o médico
O estudo identifica uma tendência crescente de participação ativa dos cidadãos na gestão da própria saúde. Os autores destacam que 78% dos europeus consideram possuir conhecimentos suficientes para cuidar da sua saúde e que 94% recorrem à automedicação para resolver, pelo menos, alguns problemas.
Ainda assim, a investigação conclui que a expansão da inteligência artificial não elimina a importância dos profissionais de saúde. Pelo contrário, os participantes defendem que estas ferramentas devem funcionar como complemento ao trabalho médico e não como substituição das consultas presenciais.
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