Portugal dispõe atualmente de meios limitados para responder a ataques aéreos de médio e longo alcance, uma realidade que especialistas em defesa têm vindo a apontar há vários anos. O país mantém apenas sistemas de defesa antiaérea de curto alcance, o que significa que existem lacunas na proteção do espaço aéreo nacional perante determinados tipos de ameaça.
De acordo com o Jornal de Negócios, o sistema atualmente disponível assenta essencialmente em mísseis Stinger de curto alcance. Estes equipamentos foram adquiridos durante um Governo liderado por Aníbal Cavaco Silva e o número exato de unidades em serviço não é divulgado pelo Exército português.
Vulnerabilidade apontada por especialistas
A ausência de sistemas capazes de atuar a maiores altitudes tem sido referida por analistas militares. Segundo a mesma fonte, vários especialistas consideram que o país permanece exposto a determinadas ameaças vindas do ar.
O coronel Carlos Mendes Dias, professor e investigador no Instituto Universitário Militar, resume a situação de forma direta. “A este nível de defesa antiaérea, sim, estamos vulneráveis. É muito pouco ou quase nada. Esta vulnerabilidade foi apontada há muito tempo a diversos Governos, mas a decisão é uma decisão política”, afirma.
Problema não é exclusivo de Portugal
A limitação da defesa antiaérea não é um fenómeno isolado. Conforme a mesma fonte, vários países europeus enfrentam dificuldades semelhantes quando se trata de sistemas capazes de responder a ameaças a médias e grandes altitudes.
Numa entrevista concedida em 2018, o antigo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Nunes da Fonseca, reconheceu essa realidade. “Temos capacidade de defesa a baixas altitudes. Mas a médias e altas altitudes estamos vulneráveis. Assim como está a Ucrânia. Assim como está a maior parte dos países da NATO”, afirmou na altura.
Investimento previsto para os próximos anos
Para responder a parte das necessidades identificadas pelos militares, o Estado tem previsto vários investimentos no âmbito da Lei de Programação Militar. Segundo a mesma publicação, o plano global prevê um montante de cerca de 5.570 milhões de euros.
Ainda assim, refere a mesma fonte, esse valor não cobre a totalidade das necessidades apontadas pelos chefes militares. As estimativas indicam que seriam necessários cerca de 11.000 milhões de euros para responder a todas as prioridades identificadas no setor da defesa.
Novos sistemas a caminho
Entre as aquisições previstas estão novos equipamentos destinados à defesa antiaérea de curto alcance. De salientar que está previsto um investimento de 45 milhões de euros já durante este ano para reforçar essa capacidade.
Nos próximos anos deverão também chegar a Portugal quatro sistemas RapidRanger, que são plataformas móveis equipadas com mísseis de curto alcance. Estes sistemas destinam-se a reforçar a capacidade de resposta a ameaças aéreas próximas.
Radares e novos mísseis previstos
O plano inclui igualmente a aquisição de dois radares terrestres de vigilância e de aquisição de alvos, com capacidade de deteção até cerca de 100 quilómetros. Segundo o Jornal de Negócios, estes equipamentos deverão melhorar a monitorização do espaço aéreo.
Além disso, está prevista a compra de 35 mísseis Starstreak, com alcance até sete quilómetros, bem como quatro mísseis LMN. Refere a mesma fonte que estas aquisições procuram reforçar a proteção contra ameaças de curto alcance, embora não resolvam totalmente as lacunas identificadas para altitudes mais elevadas.
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