O Quartel da Graça, um edifício histórico situado em Lisboa, continua sem obras e fechado ao público vários anos depois de ter sido concedido pelo Estado português ao grupo hoteleiro SANA para a construção de um hotel de cinco estrelas. O projeto previa a reabilitação do imóvel e a abertura da unidade hoteleira em 2022, mas o espaço permanece devoluto.
De acordo com o canal Euronews, o contrato de concessão foi formalizado em dezembro de 2019 pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças, prevendo um investimento estimado em 30 milhões de euros. O plano incluía a criação de um hotel com cerca de 120 quartos e mais de 15.000 metros quadrados de área de construção.
Edifício com séculos de história
Antes de ser utilizado como instalação militar, o espaço teve outra função. Segundo a mesma fonte, o edifício começou por ser o Convento da Graça, fundado no século XIII e classificado como monumento nacional desde 1910.
Em 1834, após mudanças políticas e militares no país, o convento passou a ser ocupado pelo Exército e adotou a designação de Quartel da Graça. Conforme a mesma fonte, ao longo do tempo o espaço continuou a ser utilizado por estruturas militares.
Do uso militar ao abandono
Já nos anos 2000, parte das instalações acolheu serviços da GNR e do Exército. No entanto, refere a mesma fonte, o imóvel acabou por ser progressivamente desocupado até ficar abandonado durante vários anos.
Com o edifício sem utilização, o Estado decidiu integrá-lo numa estratégia de valorização do património histórico. Segundo a mesma fonte, o quartel foi incluído no programa Revive, lançado para promover a recuperação de monumentos através de investimento privado.
Um projeto que nunca avançou
O programa previa a concessão de edifícios históricos a entidades privadas para exploração turística ou cultural. O Quartel da Graça foi um dos imóveis escolhidos para esse processo.
Apesar de o contrato estabelecer um prazo de quatro anos para a conclusão das obras, a intervenção nunca avançou. Quem passa atualmente pelo Largo da Graça consegue observar sinais de degradação, como telhas partidas, janelas danificadas, infiltrações e paredes grafitadas.
Dúvidas sobre o cumprimento do contrato
Além da recuperação do imóvel, o contrato previa também obrigações financeiras para o concessionário. Conforme a mesma fonte, o grupo SANA ficou responsável por pagar cerca de 1,79 milhões de euros por ano ao Estado pela utilização do edifício.
Esse pagamento apenas começaria após os primeiros quatro anos da concessão. Refere a Euronews que, desde 2024, o valor acumulado ultrapassa já os 3,5 milhões de euros, embora não seja claro se esses montantes estão a ser pagos.
Moradores querem outro destino para o quartel
O prolongamento da situação levou à mobilização de residentes da zona da Graça. Segundo a mesma fonte, em 2024 foi criada a Assembleia da Graça, um grupo de moradores que se opõe à instalação do hotel.
Entre os participantes está Carolina Camargo Abreu, que critica o estado atual do edifício. “Nitidamente, estão a incumprir o contrato. Eles são responsáveis pela segurança e cuidado com o imóvel. As obras de restauro já deveriam ter iniciado há muito”, afirmou ao canal. A moradora acrescenta que o espaço poderia acolher projetos para a comunidade, como “o cinema, a biblioteca, o teatro, o lugar de encontro de jovens”, defendendo que o quartel poderia servir melhor o bairro se tivesse outro tipo de utilização.
















