Os preços dos combustíveis deverão voltar a mexer já na próxima semana, mas desta vez no sentido que muitos condutores esperam. Segundo os dados citados pelo ECO, o gasóleo e a gasolina poderão registar uma nova descida a partir de segunda-feira, num movimento associado ao recuo do petróleo nos mercados internacionais. Para quem estava a pensar abastecer, o cenário traçado aponta para uma possível poupança por litro, sobretudo no caso do diesel, o combustível mais utilizado em Portugal.
De acordo com a mesma fonte, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, conhecida como Anarec, estima uma descida de 5,5 cêntimos por litro no preço do gasóleo e de cerca de três cêntimos na gasolina. Já o Automóvel Clube de Portugal antecipa uma redução ainda mais expressiva no diesel, admitindo que a quebra possa chegar aos seis cêntimos por litro.
Quanto podem passar a custar gasóleo e gasolina
Caso estas previsões se confirmem, o preço médio do gasóleo simples poderá descer para cerca de 2,085 euros por litro, enquanto a gasolina simples 95 poderá cair para os 1,908 euros por litro. A comparação com os valores médios ainda praticados ajuda a perceber a dimensão do alívio esperado.
Segundo os números indicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia, o litro de gasóleo custava esta sexta-feira, em média, 2,145 euros, ao passo que a gasolina simples 95 se fixava nos 1,943 euros por litro. A diferença poderá não parecer enorme num único abastecimento curto, mas ganha peso para quem faz muitos quilómetros por semana ou depende diariamente do carro para trabalhar.
Ainda assim, o ACP lembra que os preços encontrados nas bombas podem não coincidir exatamente com estas estimativas. Isso acontece porque o mercado dos combustíveis em Portugal é liberalizado, o que permite que cada operador ajuste a sua política de preços. Na prática, isso significa que poderá haver postos com reduções mais tímidas e outros com cortes mais evidentes.
O que está por detrás desta descida
A queda prevista surge numa altura em que os mercados energéticos continuam particularmente sensíveis à evolução da situação no Médio Oriente. De acordo com a informação reproduzida pelo ECO, o recuo dos combustíveis acompanha a desvalorização do petróleo, depois de sinais de possível distensão diplomática terem travado parte da pressão que vinha a ser sentida nas últimas semanas.
A mesma peça refere que persistem, ainda assim, dúvidas em torno do Estreito de Ormuz, uma zona estratégica para o transporte marítimo de crude. Analistas citados no texto admitem que os movimentos de baixa no petróleo continuam condicionados pela incerteza em torno de um eventual acordo diplomático e pela expectativa em relação às conversações entre delegações norte-americanas e iranianas.
Essa cautela ajuda a explicar por que motivo o mercado continua a reagir com prudência. Apesar do recuo acumulado da matéria-prima, basta uma alteração no quadro geopolítico para que a tendência possa voltar a inverter-se num curto espaço de tempo.
Alívio fiscal mantém-se e pode ajudar a travar novas subidas
Ao mesmo tempo, o Governo decidiu avançar com uma alteração temporária ao regime do Imposto sobre Produtos Petrolíferos para prolongar o alívio fiscal nos combustíveis. Segundo recorda o ACP, este mecanismo permite aplicar uma redução extraordinária e temporária no ISP sempre que o aumento dos preços ultrapasse os dez cêntimos.
Os combustíveis deverão refletir, assim, não só a evolução da matéria-prima, mas também esse enquadramento fiscal extraordinário, criado para suavizar oscilações mais bruscas. Depois de duas semanas consecutivas de agravamentos, e de um início de semana marcado por novas subidas, a expectativa de descida poderá ser recebida como um sinal de algum alívio, ainda que dependente da evolução internacional nas próximas horas.
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