A Universidade do Algarve vai eliminar a carne de vaca da sua oferta alimentar já no próximo ano letivo, no âmbito de uma campanha que pretende promover hábitos alimentares mais sustentáveis e alinhados com preocupações ambientais e de saúde pública. De acordo com o jornal Sul Informação, a medida integra a iniciativa “O Futuro Começa no Prato”, que procura sensibilizar toda a comunidade académica para escolhas alimentares mais conscientes.
A campanha assenta no lema “Pequenas escolhas. Grande impacto” e parte da ideia de que alterações nos hábitos alimentares podem contribuir para reduzir a pressão sobre os recursos naturais, ao mesmo tempo que promovem uma alimentação mais equilibrada.
Mudança que começa nas cantinas
A retirada da carne de vaca será uma das medidas mais visíveis desta estratégia. Além dessa alteração, a universidade prevê reforçar a presença de alimentos de origem vegetal e marinha, descritos como opções “verdes e azuis”, nos vários espaços de restauração dos seus campi.
A iniciativa prevê ainda intervenções físicas em alguns espaços universitários. Em Gambelas será criado um novo espaço alimentar na Nave das Artes, enquanto no campus da Penha está prevista a remodelação do bar de Engenharia Civil. Estas mudanças enquadram-se também nas metas definidas pelo Plano Estratégico UAlg Horizonte 2030.
Peso ambiental da alimentação
De acordo com a mesma fonte, a campanha chama a atenção para o impacto ambiental associado aos atuais sistemas alimentares. Os dados citados indicam que estes sistemas representam entre 26% e 34% das emissões globais de gases com efeito de estufa.
No caso da carne de vaca, o impacto é particularmente relevante. A publicação refere que a produção deste alimento pode emitir mais de 50 quilos de dióxido de carbono equivalente por cada quilo produzido, colocando-o entre os produtos alimentares com maior pegada ambiental.
Aposta nos chamados alimentos azuis
A Universidade do Algarve pretende valorizar alternativas associadas ao mar, como sardinha, cavala, mexilhão ou amêijoa. Estes alimentos fornecem nutrientes frequentemente associados ao consumo de carne de vaca, incluindo proteína, vitamina D, vitamina B12 e ferro.
Segundo o Sul Informação, também as algas e muitos vegetais produzidos localmente podem apresentar um impacto ambiental inferior, sendo apontados como alternativas compatíveis com uma alimentação mais sustentável.
Papel da investigação científica
A estratégia adotada pela universidade apoia-se igualmente em trabalhos científicos desenvolvidos por Carlos Duarte, Doutor Honoris Causa da instituição. A investigação destaca o potencial da aquacultura marinha e da produção de algas para reforçar a segurança alimentar e apoiar a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.
A campanha valoriza ainda princípios associados à Dieta Mediterrânica, privilegiando produtos locais, sazonais e de origem diversificada, adaptados ao contexto regional algarvio.
A posição da reitora
Para a reitora da Universidade do Algarve, Alexandra Teodósio, o contexto atual exige uma resposta concreta por parte das instituições de ensino superior. Citada pela mesma fonte, afirma que “o contexto atual, marcado pelas alterações climáticas, pela instabilidade geopolítica e pelo aumento global da inflação, exige uma resposta clara e efetiva por parte das instituições de ensino superior”.
A responsável acrescenta que os sistemas alimentares continuam a estar ligados a desafios globais como a segurança alimentar, a saúde humana, a sustentabilidade ambiental e a justiça social. “Uma alimentação mais assente em produtos de origem vegetal e marinha, produzidos de forma sustentável, contribui não só para a saúde e para a sustentabilidade ambiental, mas também para a justiça social”, defende.
Iniciativa com objetivos mais amplos
A campanha nasceu no âmbito do concurso de ideias “Greening Our Campus”, promovido pelo grupo de trabalho da Universidade do Algarve na Universidade Europeia dos Mares, SEA-EU. O projeto “Mudança Sistémica da Alimentação na UAlg” foi um dos vencedores da edição de 2025.
Alexandra Teodósio considera que ações desta natureza devem também funcionar como instrumentos de aprendizagem. A reitora sublinha que “é fundamental que nas Instituições de Ensino Superior como a UAlg (…) ações coletivas, como a campanha que lançamos ‘O Futuro Começa no Prato’, sejam também entendidas como instrumentos de aprendizagem e de promoção de estilos de vida mais sustentáveis”.
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