As melgas não picam ao acaso e há pessoas que, por diferentes razões, acabam por ser claramente preferidas. O fenómeno repete-se todos os verões e levanta sempre a mesma questão. Porque é que alguns parecem escapar enquanto outros acumulam picadas?
De acordo com o Notícias ao Minuto, portal português especializado em atualidade e lifestyle, um estudo publicado no Journal of Medical Entomology indica que indivíduos com sangue do tipo O são mais frequentemente alvo destes insetos do que aqueles com tipo A. A explicação poderá estar em substâncias libertadas pela pele, que funcionam como sinais químicos e ajudam os mosquitos a identificar as suas vítimas.
O papel do dióxido de carbono
O primeiro fator de atração é invisível. Os mosquitos são altamente sensíveis ao dióxido de carbono libertado na respiração. Quanto maior a quantidade produzida, maior a probabilidade de atrair estes insetos.
Este detalhe ajuda a explicar diferenças aparentemente aleatórias. Pessoas com metabolismo mais elevado, corpos maiores ou até em situações específicas como a gravidez produzem mais CO2, tornando-se mais fáceis de localizar.
O que o corpo liberta faz diferença
Além do dióxido de carbono, o corpo humano emite outros compostos que influenciam o comportamento das melgas. O ácido lático, por exemplo, aumenta após o exercício físico e pode reforçar a atratividade.
Quem pratica desporto ou está mais ativo tende a gerar mais calor e a libertar mais substâncias através da pele. Esse conjunto de sinais funciona quase como um guia para os insetos, que procuram fontes de sangue com base nestes estímulos.
Calor corporal e escolha do alvo
O calor emitido pelo corpo é outro elemento decisivo. As melgas preferem zonas onde o sangue está mais próximo da superfície da pele, algo mais comum em pessoas com temperatura corporal ligeiramente superior.
Este fator, combinado com a circulação sanguínea, ajuda a explicar porque certas áreas do corpo são mais frequentemente picadas e porque algumas pessoas parecem ser sempre as escolhidas.
A influência da roupa
Há ainda um detalhe muitas vezes ignorado. As melgas têm boa visão e conseguem distinguir contrastes no ambiente. Roupas escuras destacam-se mais e tornam o corpo humano mais fácil de identificar.
Optar por cores claras pode reduzir essa visibilidade e diminuir a probabilidade de ser alvo, sobretudo ao final da tarde ou à noite, altura em que estes insetos estão mais ativos.
Estilo de vida também conta
Os hábitos do dia a dia têm impacto direto. O consumo de álcool, por exemplo, pode aumentar a atratividade ao alterar o metabolismo e os odores corporais. O excesso de peso e a gravidez surgem igualmente associados a maior emissão de calor e dióxido de carbono.
Pequenas diferenças no organismo acabam, assim, por fazer uma grande diferença na forma como cada pessoa é percecionada pelas melgas.
Segundo a mesma fonte, compreender estes fatores permite ajustar comportamentos e reduzir o risco de picadas, sobretudo em períodos mais quentes, quando a atividade destes insetos tende a aumentar.
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