Um trabalhador de 33 anos acusa uma empresa transportadora de o ter despedido enquanto se encontrava de baixa médica na sequência de um enfarte. O caso, ocorrido numa filial em Matosinhos, poderá agora chegar aos tribunais, depois de o antigo funcionário considerar que o motivo apresentado pela entidade patronal não corresponde aos factos.
De acordo com o Correio da Manhã, a empresa justificou o fim do vínculo com a caducidade do contrato de trabalho, alegando que tinha deixado de existir o acréscimo de atividade que motivara a contratação. No entanto, poucos dias depois, publicou um anúncio para recrutar um trabalhador para o mesmo local e para desempenhar exatamente as mesmas funções.
Oferta de emprego surgiu após o despedimento
Foi esse anúncio que reforçou as dúvidas do antigo funcionário quanto às razões invocadas para o afastamento. Segundo o trabalhador, se a necessidade de mão de obra tivesse realmente desaparecido, a empresa não teria iniciado um novo processo de recrutamento quase de imediato. “A evidência de que a necessidade de trabalho persistia foi dada pela oferta de emprego publicada dias após me terem dispensado”, afirmou.
O homem tinha sido contratado cerca de dois meses antes para exercer funções administrativas na unidade de Matosinhos. Durante esse período sofreu um enfarte que o obrigou a interromper a atividade profissional. A recuperação revelou-se mais demorada do que o inicialmente previsto, levando ao prolongamento da baixa médica por indicação clínica.
Comunicação da baixa antecedeu a decisão
Foi após informar a entidade empregadora de que teria de prolongar a recuperação que recebeu a comunicação do despedimento. O trabalhador considera que existe uma ligação direta entre a sua situação clínica e a decisão da empresa. “No momento em que estava mais fragilizado, física e emocional, a empresa aproveitou para me despedir”, declarou ao Correio da Manhã.
Convencido de que foi alvo de um tratamento injusto, o homem pondera agora avançar com uma ação judicial. Na sua perspetiva, a atuação da empresa foi “abusiva, ilícita e discriminatória”, sobretudo porque entende que a justificação apresentada não é compatível com a abertura de um novo processo de recrutamento para o mesmo posto de trabalho. Para já, ainda não é conhecida a posição da empresa perante as acusações.
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