A cantautora e performer algarvia Antera acaba de lançar “Como um Bigbang”, o primeiro tema do seu percurso a solo e a primeira amostra de Delíria, álbum de estreia com edição prevista para outubro de 2026.
Natural de Lagos, a artista constrói neste novo projeto uma linguagem situada entre a música tradicional portuguesa, a canção de autor, o dream pop e a eletrónica, cruzando memória, tecnologia, ritual e experiência contemporânea.
Segundo o comunicado de apresentação, a canção procura refletir a dificuldade de encontrar orientação num presente marcado pela velocidade da informação, pelos algoritmos e pela fragmentação das referências coletivas. Nesse universo convivem imagens aparentemente distantes, como um Tamagotchi, uma cura xamânica, um anjo, um comprimido e um sol que nasce do oceano.
Mais do que uma acumulação de símbolos, o tema pretende retratar uma geração que procura novos sentidos depois do desaparecimento de muitos dos antigos rituais, sem que outras formas de orientação os tenham verdadeiramente substituído.
Tradição portuguesa encontra eletrónica sem nostalgia
Em “Como um Bigbang”, a eletrónica surge como uma extensão da memória musical portuguesa, e não como elemento de oposição à tradição. O tema aproxima diferentes referências sem recorrer a uma lógica declarada de fusão ou de recriação folclórica.
De acordo com a apresentação do projeto, “A tradição deixa de ser um lugar para regressar; torna-se um lugar de onde ainda podemos partir”.
A canção aborda ainda a perda, a fragmentação do indivíduo e a possibilidade de reconstrução, recorrendo à imagem de uma explosão interior que abre caminho à cicatrização e à transformação.
Produzido em cocriação com Sickonce, Metamito e Diogo Lima, o tema antecipa um disco que atravessa assuntos como a dor herdada, o medo, a depressão, o amor e a procura de outras formas de existência.
Musicalmente, Delíria irá aproximar o cante alentejano, os adufes, a canção portuguesa e a eletrónica, criando um território comum no qual estas linguagens coexistem sem necessidade de justificar a respetiva ligação.
Percurso iniciado entre piano, canto clássico e performance
Antera iniciou o percurso artístico através do piano e do canto clássico, antes de desenvolver uma linguagem própria entre a música, a palavra, a imagem e a performance.
A artista, nascida em Lagos em 1995, formou-se em Artes Performativas entre Lisboa, Vigo e Berlim e integrou anteriormente o projeto Orfélia, com o qual editou os álbuns Retratos Temporais, em 2019, e Tudo o Que Move, em 2021.
Com os Orfélia, apresentou-se em espaços como o Musicbox, em Lisboa, e o Maus Hábitos, no Porto. A estreia em nome próprio aprofunda agora uma visão artística marcada pela construção de universos simbólicos e pela relação entre aquilo que cada pessoa transporta e o que escolhe oferecer.
Segundo o comunicado, “Antera escolhe outro caminho”: criar canções que resistem à pressa e recuperam uma das funções mais antigas da música, ajudando a compreender aquilo que ainda não se consegue nomear.
“Como um Bigbang” está disponível nas plataformas digitais e é acompanhada por um visualizer concebido e realizado pelo videógrafo João Catarino, responsável pela imagética do universo da artista, em colaboração com Daniel Matos.
Leia também: Último verão do Lick leva cinco grandes noites a Boliqueime















